Mãe acusada de enterrar bebê vivo.
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Data de Publicação: 30/12/2004
Vizinhos ouviram o choro da criança vindo do quintal da casa de Lenícia, mas não sabiam o que estava acontecendo
Está presa em Belo Campo, a 40 km de Vitória da Conquista, a lavradora Lenícia Germano Alves, 42 anos, acusada de enterrar vivo o filho recém-nascido. O crime ocorreu há dez dias, mas somente ontem chegou ao conhecimento da polícia por meio de denúncia anônima.
Segundo o auxiliar administrativo José Viana, lotado na delegacia, a criança, do sexo masculino, foi enterrada nos fundos da casa da acusada, que fica na zona rural de Coivara, a 6 km da cidade. Viana disse que três depoimentos, inclusive, um da filha da lavradora, Mércia Alves, 20 anos, reforçam as evidências de que a criança foi enterrada ainda com vida.
Mãe de sete filhos e viúva há sete anos, Lenícia escondeu a gravidez com vergonha da família e dos vizinhos. ?É costume na zona rural acontecer isso, pois ela era viúva e não mantinha um relacionamento aberto desde então?, explicou o auxiliar administrativo.
Assim que a criança nasceu num dos cômodos da casa, a lavradora tratou de escondê-la, o que considerou uma vergonha durante os nove meses de gestação. Para isso fez uma cova rasa, cobriu o bebê com um lençol branco.
?Deus foi justo porque, naquele momento, alguém passou e ouviu o choro da criança, porém não atentou para o que realmente estava acontecendo e seguiu em frente?, relatou Viana. A consciência da lavradora falou mais alto e, dez dias após o crime, ela desabafou com a filha, sustentando que havia matado o recém-nascido, sufocando-o antes de enterrar.
Só que a própria filha da mulher, revoltada com o fato, não acreditou na versão e, pelo menos em depoimento à delegada Maria Paula de Souza Mota, manteve a versão sustentada pela testemunha que ouviu o choro no quintal de Lenícia.
A chegada da viatura da polícia à zona rural causou um alvoroço, como observou o auxiliar Viana. ?O povo cercou o carro, e a filha da mulher desabafou com a gente, dizendo que já estava esperando a polícia a qualquer momento?.
Não houve reação de revolta, como tentativa de linchamento, mas um consenso entre os moradores da pequena localidade de Coivara, dispostos a testemunhar contra Lenícia. ?O que ela fez é coisa do demônio. Por que ela não deu a criança para uma pessoa cuidar??, questionou o lavrador Josué Pereira.
ESTADO PUERPERAL ? A lavradora está presa à disposição da juíza da Comarca de Belo Campo, Mina Fraga de Souza Farias. Lenícia foi indiciada por crime de infanticídio e ocultação de cadáver, crime este previsto no Artigo 211 do Código Penal Brasileiro, com pena de reclusão, de um a três anos e multa.
O crime de infanticídio, previsto no Artigo 123 do mesmo código, prevê detenção, de dois a seis anos, para quem mata, sob influência do estado puerperal (perturbação psicológica que a mãe sofre entre o deslocamento e expulsão da placenta e a volta do organismo materno às condições normais), o próprio filho, durante ou logo após o parto.