Virou freguêz: Bahia perde para o Ipitanga.
Indesejado treinador Hélio dos Anjos está ainda mais ameaçado. O Bahia volta a fazer a alegria do caçulinha Ipitanga, na festa da torcida feliz de Terra Nova.
Sabe? Eu sou é Ipitanga, com muito orgulho, com muito amÔÔÔÔ...! A galera de Terra Nova curtiu: Que caçula perturbado! Bagunçou mais uma vez com o Bahia e, por muito pouco mesmo, não destronava o Vitória da liderança do grupo 1.
O estadinho levou um banho especial. Foi todo pintado de branco para a noite de festa. O dono da casa emprestada, o Ipitanga, recebia a ilustre visita. Caçulinha e grandão em pé de igualdade. Até a bola quicar no campinho difícil.
Gritinhos bem agudos davam o tom da presença feminina, a cada jogada dos laranjinhas, alusão à cor do uniforme do time da casa. Casais de namorados curtiam o passeio na arquibancada. E o Ipitanga deu presente pro povão: 2x1.
Os dois times já estavam classificados. O Bahia, então, nem precisava se preocupar. Já sabia até que enfrentaria o Fluminense nas quartas-de-final do Campeonato Baiano. O primeiro jogo, em Feira, e o outro, na Fonte Nova.
MISSÃO ? Para o invicto Ipitanga, que estreava o técnico Danilo Augusto, restava tentar superar o Vitória. Não deu: resultados iguais de 2x1, lá e no Barradão, mantiveram Ipitanga contra Colo Colo, com vantagem para o time de Ilhéus. Mesmo tendo o Ipitanga terminado em segundo, as criancinhas que entraram em campo com o time, vestidas no sagrado padrão laranja da Holanda-74, exibiam o sorrisão da maior felicidade por terem participado da festa em Terra Nova.
Foi pirraça com o Bahia: pequeno como as crianças que o incentivavam, o caçulinha tratou o fiel freguês, daquele que o torcedor anota o placar, a data e as escalações no caderninho para saborear boas lembranças pra sempre.
É um caso pra estudo: o caçulinha tem nome de uma praia de Lauro de Freitas, adotou uniforme de seleção européia e ganhou o coração de uma pequena cidade do sertão baiano. Êta mistura pós-moderna danada! O Bahia que entenda e decifre o enigma de outra laranja em sua história, desta vez, uma bem azeda, a venenosa laranja de Terra Nova.
Campo vivo, time morto
O toque curtinho podia virar lançamento a depender do efeito que ganhava no calombo mais próximo. O campo parecia vivo e fazia pouco caso do esforço de Guaru, Luís Alberto e Fernando Miguel em tentarem se entender.
Só com jogada aérea dava pra se tentar alguma coisa. E foi assim que surgiu o gol no primeiro minuto. Nas jogadas seguintes, Viola meteu a cabeça-de-quina, típica de atacantes que mandam bem pra longe quando sobem com os zagueiros.
Nem mudando o padrão, do tricolor listrado da Taça Brasil de 59 para a camisa branca do Brasileiro de 1988, o Bahia conseguiu mostrar vestígios do velho Esquadrão. Pior para a garganta do mais ameaçado técnico Hélio dos Anjos.
O jogo
Ipitanga
David, Paulo César, Sílvio, Josemar e Célio; Marquinhos, Rogério, Garrinchinha e Narcísio; Bida e Davi (Joãozinho). Técnico: Danilo Augusto
Bahia
Márcio, Paulinho, Jailson, Alysson e Cícero; Fernando Miguel (Elias), Magno, Luís Alberto e Guaru (Ernâne); Viola e Dill. Técnico: Hélio dos Anjos
Estádio: Luís Eduardo Magalhães, Terra Nova
Árbitro: Fernando Andrade
Assistentes: Kleber Moradillo e Luiz Carlos Teixeira
Gols: Guaru 1, Marquinhos 2min do 1o. tempo; Paulo César (pênalti), 18 do 2º tempo
Cartão Amarelo: Paulo César, Narcísio, Davi, Jailson e Paulinho
Público: 3 mil pagantes
Renda: R$ 12 mil
Melhores lances
1º tempo
1min: GOL! Guaru cruza e Garrinchinha, do Ipitanga, raspa, contra. Bahia 1x0
2min: GOL! Paulo César cruza, Marquinhos domina e bate rasteiro. Ipitanga 1x1
14min: Guaru bate de longe e a bola passa à esquerda do gol.
30min: Marquinhos cruza rasteirinho, a bola pede ?me chute? e ninguém aparece.
47min: Magno salva em cima da linha colocando para escanteio pelo alto.
2º tempo
18min: GOL! Pênalti: Alysson puxa camisa de Bida. Paulo César: Ipitanga 2x1.
45min: Narcísio passa manteiga nela e manda ver. Passou pertinho, pelo alto.
48min: Viola se afina com Luís Alberto. Travessão salva a Holandinha
49min: Marquinhos se aproxima de toquinho em toquinho e manda por cima.
Os bichos
Vergonha no momento de mandar a gol. Tricolores enviaram a bola pras estrelas. Guaru, Viola, Dill e Luís Alberto maltrataram a redonda na hora agá
Márcio não sabia pra onde a bola podia tomar efeito de tão ruim que era o gramado. O placar podia ter sido maior não fosse o goleiro incompreendido
Eu tou pedindo calma, como diz o pagodinho. Mas Davi e Jailson preferiram trocar carícias na vista do juizão. Amarelo saiu barato
Marquinhos ajeitou quando ela veio rasteirinha e logo meteu a outra caneta na bola para balançar. Lance típico de quem sabe o veneno que tem na perna.
