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Versão de Delúbio e Valério é pior que Operação Uruguai de Collor Uma afronta à nação
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Versão de Delúbio e Valério é pior que Operação Uruguai de Collor Uma afronta à nação

Valério e Delúbio criaram uma versão O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) alerta: ?A Operação Uruguai não salvou o ex-presidente Fernando Collor?. Diante das novas versões apresentadas pelo publicitário Marcos Valério de Souza e pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares - em seqüência, ambas ao Ministério Público, ambas ?de forma espontânea? -, os parlamentares oposicionistas não têm dúvida: como no caso da Operação Uruguai, montou-se uma desculpa combinada para as relações entre o publicitário e o partido e para os milhões de reais sacados que isentasse de qualquer responsabilidade o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Repete-se um caminho que já deu errado no passado, no processo de impeachment de Collor. Esse governo pega a cartilha de Collor e a imita de forma malfeita?, critica Heráclito. É o que conta o repórter Rudolfo Lago do Correio Braziliense. Em 1992, em meio às apurações da CPI do caso PC, o então secretário da Presidência, Cláudio Vieira, apresentou a versão que ficou conhecida como Operação Uruguai. Para justificar o altíssimo padrão de vida do então presidente Collor, disse que ele teria tomado um empréstimo de US$ 5 milhões de uma empresa no Uruguai. Seus avalistas teriam sido o senador cassado Luiz Estevão e o atual senador Paulo Otávio (PFL-DF). O depoimento da secretária Sandra de Oliveira jogou tudo por terra. Não havia empréstimo algum. A papelada que justificava a operação era toda forjada. Agora, Valério e Delúbio aparecem com uma história para justificar o imenso volume de dinheiro vivo sacado das contas das empresas do publicitário. Um volume que se iniciou como sendo de pelo menos R$ 21 milhões. Mas Valério já admite que os empréstimos chegaram a R$ 40 milhões. Com juros e correção monetária, o que o PT deveria a Valério nos empréstimos que ele tomou em nome do partido chega à casa dos R$ 90 milhões. Ao contrário do que aconteceu com Collor, agora os oposicionistas até acreditam na existência dos empréstimos. Não na linha que tentam sugerir Delúbio e Valério. Mas como forma de lavar o dinheiro do Caixa 2. Marcos Valério tomou os empréstimos. Como se sabe, o PT não lhe pagou pelo favor. Mas o publicitário certamente não ficou com o prejuízo. Eis o ponto em que, avaliam os oposicionistas, o tiro tentado por Delúbio e Valério pode sair pela culatra. ?É impossível acreditar que Valério tenha tomado R$ 40 milhões emprestados apenas porque seu amigo Delúbio pediu?, avalia o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). ?Se ele fez isso para ter uma contrapartida em contratos de publicidade, piora a situação do secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken. É difícil acreditar que os contratos não foram feitos para pagar o empréstimo?, continua Fruet. Para o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), a nova tática adotada com os depoimentos do publicitário e do tesoureiro é mais um erro. ?Se Valério pegou financiamento para o PT, alguém pagou. Aí, vamos chegar ao esquema de corrupção.? Na entrevista à TV Globo, Valério alegou sigilo para não informar quem eram as pessoas indicadas pelo PT que sacavam o dinheiro nas contas das empresas. Tal sigilo, porém, será quebrado. E os parlamentares na CPI saberão quem são essas pessoas. Apesar de considerarem que as versões de Valério e Delúbio são frágeis e não se sustentam por muito tempo, os oposicionistas estão preocupados com seus próprios desempenhos nas investigações. Temem que a pirotecnia na CPI dos Correios e os seguidos bate-bocas com os governistas atrapalhem a eficiência das investigações. ?Essa tática não nos beneficia. Temos de fazer um ajuste de foco e nos organizarmos nesses dias de recesso em julho?, ponderou o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Em reuniões que já aconteceram na semana passada, os oposicionistas combinaram organizar melhor a sua ação para influir mais na condução das investigações. ?De nada adianta ficar trazendo Marcos Valério, que vem aqui mentir. Temos de mergulhar nos documentos e buscar os depoimentos de testemunhas que possam esclarecer, como secretárias, motoristas?, defende Alberto Goldman (SP), líder tucano na Câmara. ?O momento é grave e requer rigor e responsabilidade nas apurações?, disse o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Primeiro ao Ministério Público e depois em uma entrevista à TV Globo, Valério afirma que o dinheiro é produto de empréstimos, que tomou a pedido de Delúbio para saldar dívidas do PT. Tudo, segundo ele, em nome da amizade. Sem pedir nada em troca. Feitos os empréstimos, devedores indicados pelo PT iriam às agências do Banco Rural e sacariam as quantias devidas. Para justificar imenso volume de recursos passando pelas mãos de devedores do PT de forma não declarada, Delúbio, também em ?depoimento espontâneo? ao Ministério Público, reconhece que houve Caixa 2 em todas as campanhas petistas. Menos na do presidente Lula. ?Eles estão querendo apagar a possibilidade de que esse dinheiro tenha sido arrecadado de empresários que tinham negócios com o governo. A versão montada é muito parecida com a que Collor criou na Operação Uruguai?, avalia o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Na versão combinada, o publicitário e o ex-tesoureiro assumiriam irregularidades apenas junto à Justiça Eleitoral: sonegação de informações sobre recursos e doações de campanha. Apostam, assim, em penas mais brandas, e afastam o governo de qualquer possibilidade. Para o especialista em direito eleitoral Torquato Jardim, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode ser uma tática arriscada, diante do volume de recursos e da extensão da confissão. O PT não chega a correr o risco de perder seu registro como partido. Mas as conseqüências para seus candidatos poderiam ser bastante duras. Para Torquato, Delúbio - como principal responsável pelos recursos - não escaparia da cadeia. A pena prevista é de três a cinco anos. E, se todas as campanhas do partido tinham Caixa 2, como confessa Delúbio, todos os eleitos pelo partido ficam, em tese, sujeitos à perda do mandato. Seria o destroçamento absoluto do PT.
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