
Esta semana, uma família humilde de Matina foi marcada pela tragédia. Domingos Pereira dos Santos, 55 anos e Maria Ana da Conceição, 26 anos, que são pais de seis filhos menores, estavam separados; ele alegando traição da mulher e falta de cuidado dela para com os filhos, ultimamente é quem vinha cuidando das crianças. Na última sexta-feira (07/12), o pequeno Luciano da Conceição Santos, de apenas seis anos de idade, juntamente com outros meninos foram tomar banho no pequeno açude que encheu com as últimas chuvas, e acabou morrendo afogado. Tomados pelo desespero, Domingos e Maria partiram para acusações mutuas, agressões e por pouco não se mataram; ele trespassado pela dor de ser acusado de não ter cuidado direito da criança, deu uma facada em Maria, que foi imediatamente socorrida no hospital da cidade e segundo o médico está fora de perigo. Sebastião foi preso em flagrante e entrou num desespero ainda maior de estar sendo privado da liberdade, de não poder acompanhar o velório do seu filho Luciano; chegando a desmaiar duas vezes no trajeto até a delegacia. Enquanto Luciano era velado por vizinhos e conhecidos, Maria estava hospitalizada e Domingos preso na cadeia da cidade. Se compadecendo dessa situação e das circunstancias trágicas que envolveram aquela família, muitas rapidamente se aglomeraram em frente a delegacia apelando pela soltura de Domingos. O Delegado Dr. João demonstrando sensível aos fatos, determinou que Domingos, acompanhando de um agente de polícia e sem algemas acompanhasse o velório e o sepultamento do filho. Na delegacia não faltaram os que testemunharam em favor de Sebastião, que é tido como um homem bom, trabalhador, que assumira cuidar dos filhos depois dos maus tratos e descuidos da mãe, que inclusive já vive outro relacionamento e estar grávida ha dois meses. Como se não bastasse o sofrimento pela perda do filho, de estar esfaqueada no hospital, Maria enfrenta o julgamento das pessoas que a acusam de "banda vuô", de não cuidar nem da filha mais velha, que é fruto de um relacionamento que teve antes de Domingos; que teve que aprender a se virar sozinha. O fato é que a tragédia é muitas vezes fruto do caos social; laços familiares rompidos pelas dificuldades humanas, filhos que crescem criados pela dura sorte, sujeitos ao que a vida lhes oferece, em meio a uma sociedade perversa que se ocupa rapidamente a arranjar culpado, quando a tragédia acontece. A cadeia por certo não será remédio para um homem que com o coração sangrando de dor partiu para o desespero ferindo a mãe dos seus filhos; os cinco filhos pequenos que restaram precisam do amparo de um pai; a mãe, também ferida duplamente, tocada agora pela realidade dos fatos, pela dor da perda, dedicará certamente mais atenção e amor aos seus filhos. A vida já foi dura demais com os pais e irmãos do pequeno Luciano.