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Tragédia familiar: Mulher faz o próprio parto em casa, estrangula o bebê e é internada com hemorragia.
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Tragédia familiar: Mulher faz o próprio parto em casa, estrangula o bebê e é internada com hemorragia.

Depois de ter feito o próprio parto, a dona de casa Alvani Oliveira dos Santos, 33 anos, mãe de outras três crianças, estrangulou o bebê com uma camisa, enrolou em um saco plástico e escondeu debaixo da cama. O episódio aconteceu na manhã de anteontem em uma casa em Madre de Deus, e os vizinhos só tomaram conhecimento do fato por que Alvani teve uma grave hemorragia e pediu para que a filha mais velha, 9 anos, chamasse uma vizinha para prestar socorro. Ao entrar na casa, de apenas um cômodo, as vizinhas encontraram Alvani no meio de uma enorme poça de sangue. Ela negou que tivesse matado a criança, mas logo o bebê foi encontrado morto debaixo da cama. O corpo do bebê já foi liberado pelo Instituto Médico-legal (IML) que emitiu o laudo atestando a morte por estrangulamento. O irmão de Alvani, José Arceno, foi quem encaminhou o corpo de volta para Madre de Deus, onde o bebê foi enterrado, ontem à tarde. De acordo com moradores do local, embora toda a vizinhança soubesse da gestação, ela insistia em negar que estivesse grávida e nos últimos meses sequer saia de casa para que as pessoas não constatassem a gravidez. A filha de 9 anos contou que acordou com o choro do bebê e quando viu a mãe estava deitada no chão do banheiro encharcada de sangue e a criança escondida debaixo de um travesseiro. Segundo ela, a mãe teria pedido para que ela colocasse a televisão no volume mais alto a fim de que o choro não fosse ouvido pelos moradores. A menina contou ainda que a mãe só pediu para que ela chamasse a vizinha quando a hemorragia começou a aumentar. A moradora da casa ao lado, Florinéia Menezes, 47 anos, afirma que não estava em casa e, por isso, não ouviu o choro do bebê e nem pôde prestar socorro. ?Estava em Salvador e cheguei hoje (ontem), mas posso dizer que ela estava escondendo a gravidez. Muitas vezes perguntei se ela estava gestante e ela dizia que não, que era a barriga dela. Eu sabia, mas se ela não queria falar, não podia fazer nada?, disse a vizinha de porta, acrescentando que nos últimos meses, Alvani quase não saia de casa. ?Eu ainda brincava dizendo: saia da toca, mulher!?. Socorro - O socorro foi prestado pela vizinha Maria Cunha de Souza, 52 anos, com quem Alvani morou durante cinco anos. Ela contou que estava em casa quando a filha de Alvani chegou pedindo ajuda. ?Quando entrei na casa, ela estava no chão lavada de sangue. Perguntei se ela tinha tomado alguma coisa para perder o filho e ela disse que não e falou que a criança estava bem. Fiquei tão preocupada em ajudar que sai correndo para chamar a ambulância e pedi para que outras vizinhas procurassem pelo bebê. Nessa hora, a filha dela disse que estava debaixo da cama e nós encontramos a menina morta enrolada em um saco plástico?, contou. Maria afirmou que ela teria se preparado para fazer o próprio parto, já que a placenta estava dentro do vaso sanitário e no banheiro tinha uma bacia com água e uma tesoura que foi usada para cortar o cordão umbilical. ?Ela fez tudo e queria dar fim no bebê, que era uma menina forte e saudável. Podia ter parido e dado a criança para alguém cuidar como fez com o menino?, opinou Maria, que cria o filho do meio de Alvani, que tem 8 anos. O delegado titular da 17ª Delegacia de Polícia, Antônio Fernandes, tomou conhecimento do ocorrido e deve começar a ouvir o depoimento das pessoas que prestaram socorro a Alvani na segunda-feira. ?Eu só posso dizer alguma coisa depois que ouvir a vizinhança. Precisamos estudar o caso para saber se foi aborto provocado, espontâneo ou infanticídio?, declarou o delegado. Segundo Fernandes, se for comprovado o infanticídio, que é considerado um homicídio abrandado em função da mulher estar sob a influência do estado puerperal, a acusada pode pegar de dois a seis anos de detenção. Os filhos de 9, 8 e 3 anos estão com a vizinha Maria até que a Justiça decida o que fazer com Alvani, que permanece internada no Hospital Roberto Santos, onde deu entrada, na manhã de anteontem, vítima de hemorragia e fez uma curetagem. A direção do hospital não quis prestar maiores esclarecimentos sobre a situação da paciente. *** Mãe precisa de avaliação psíquica O psiquiatra e coordenador estadual de saúde mental, Paulo Gabrielle, afirmou que nenhum diagnóstico pode ser feito antes de a paciente ser submetida a uma avaliação psíquica criteriosa. ?Não podemos dizer que ela sofre de algum distúrbio, se ainda não foi examinada por um psiquiatra?, reafirmou o especialista. Segundo o psiquiatra, é uma situação extraordinária que deve ser avaliada cuidadosamente. ?Seria imprudente da minha parte afirmar que ela sofre de alguma doença mental. Qualquer profissional só vai poder traçar o diagnóstico depois de avaliar toda a história da paciente. Ela pode sofrer de alguma patologia mental, mas também pode não ter nenhum problema deste gênero. E nós sabemos que a Justiça trata de forma diferenciada as pessoas que têm problemas mentais, por isso, é preciso fazer uma leitura correta do caso?, disse Gabrielle.
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