SEIS PMS SÃO PRESOS POR ENVOLVIMENTO EM QUADRILHA DE ROUBO DE VEÍCULOS
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Cascavel, no Oeste do estado, prendeu nove pessoas na manhã desta quinta-feira (11). Entre os presos estão dois policiais militares da ativa e cinco ex-policiais militares. Eles são acusados de fazer parte de uma quadrilha que realizava assaltos a ônibus de sacoleiros na BR-277.
As investigações sobre a quadrilha já aconteciam há oito meses. Os presos são acusados de roubo, corrupção passiva, concussão (extorsão), receptação, formação de quadrilha e concussão, que é o crime de tirar vantagem de um cargo público. Dois policiais civis que fazem parte do bando também foram denunciados, mas estão foragidos.
A Operação Corsário, como foi batizada a ação, cumpriu ao longo desta quinta feira, 10 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão nas cidades de Cascavel, Santa Helena e Medianeira. Durante a manhã, foram apreendidos equipamentos de segurança e de vigilância, muitos deles desviados da Polícia Militar (PM). Os membros da quadrilha utilizavam os equipamentos para simular blitze, por meio das quais paravam carros e ônibus para assaltos.
No total foram apreendidas armas, munição, dinheiro em notas de real e de dólar, veículos e documentos de veículos, fardamento da PM, equipamentos de uso policial, folhas de cheques, celulares e farto material de informática, uma peruca, placas de veículos e cigarros contrabandeados. Foram apreendidos duas espingardas e dois revólveres e munição para uso em armas calibre 9 milímetros, de uso proibido, e ainda de calibre 38 e 36. O tenente do Gaeco, Gerson Zocchi, disse que a quadrilha possuía muitas armas, coletes e outros utensílios. Tudo era utilizado para forjar fiscalizações da polícia federal e rodoviária.
Autoridades esclarecem sobre prisões de policiais
O comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, Celso Luiz Borges; a promotora de justiça Cleonice Aparecida Mariano Quinteiro e o tenente do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Gerson Zocchi participaram de uma coletiva para imprensa na tarde desta quinta feira (11), para dar mais detalhes sobre a Operação Corsário, desencadeada na manhã deste mesmo dia e que prendeu nove pessoas, entre elas policiais militares.
"Essa investigação estava sendo realizada há bastante tempo pela Gaeco de Cascavel e Serviço de Inteligência da PM. O resultado foi um sucesso e terminou com essas prisões", comenta o tenente-coronel Borges.
"Há oito meses a quadrilha estava sendo investigada. Os policiais civis foram denunciados, mas não presos. Tudo isso ocorreu por junção de esforços", declara a promotora.
Os policiais militares estão presos e serão levados para Curitiba. Dois policiais civis estão sendo investigados. Zocchi explica que os policiais se alternavam encobrindo o crime e até mesmo participando diretamente da ação. "Alguns deles participavam diretamente do cometimento dos crimes e outros davam suporte. Preparar ou cometer o crime tem a mesma gravidade".
No decorrer das investigações novas prisões devem acontecer. "Nós acreditamos que a partir da prisão inúmeros delitos serão identificados. Outros envolvidos também devem surgir", aponta Borges.
"O principal trecho de ação era na BR 277 e 369, pois na ida para o Paraguai as pessoas vão com dinheiro e quando voltam trazem mercadorias - um prato cheio. O grande problema é que muitas vítimas não registraram queixa, pois, por se tratar de contrabando elas se sentiam intimidadas", argumenta Zocchi.
Os nomes dos presos não foram divulgados, por correr em segredo de justiça.
