Safra de algodão deve crescer 23% este ano
Aumento da área plantada, da qualidade e da rentabilidade podem fazer da Bahia o maior produtor do país
A Bahia é o único estado brasileiro com crescimento constante na produção de algodão
A Bahia pode se tornar o maior produtor de algodão do país, nos próximos anos. A expectativa leva em conta o crescimento da área plantada, a qualidade do produto e a rentabilidade da cultura no estado, que hoje movimenta negócios da ordem de R$1 bilhão anuais. Este ano, a safra deve atingir o volume de 870 mil toneladas, com crescimento de 23%. Mas, nos últimos cinco anos, o incremento já é da ordem de 660%. Em meio a este novo cenário, o estado estará sediando o V Congresso Brasileiro de Algodão, que acontecerá de 29 de agosto a 1º de setembro, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.
O presidente da comissão organizadora do evento e também do Fundo para Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro), José Carlos Jacobsen, informou que o objetivo do congresso é mostrar os avanços do setor e difundir novos estudos e pesquisas entre os mais de dois mil produtores, técnicos, pesquisadores, empresários e estudantes ligados à cadeia produtiva da cotonicultura. "Uma das novidades é, que em 2006, o segmento já estará plantando as primeiras variedades geneticamente modificadas", informou.
A Bahia, além de ser o único estado com crescimento constante na produção de algodão, é também o que mais exporta proporcionalmente no país, destinando 35% das cerca de 300 mil toneladas de pluma para o exterior. Segundo o presidente da Associação de Produtores de Algodão da Bahia (Apaba), Walter Yukio Horita, os principais destinos são os países do sudeste asiático, como Indonésia, Coréia e Japão. A qualidade do algodão baiano possibilita que, hoje, muitos dos produtos já tenham comercializado até 50% da safra de 2006 e 20% de 2007. "Em alguns casos, o produto, no estado, já apresenta ágil", informou Horita.
O salto da produção baiana foi verificado, principalmente, a partir de 2002, quando foi lançado o Programa de Incentivo à Cultura do Algodão no Estado da Bahia (Proalba). Ele oferece isenção de 50% do ICMS e estimula o produtor a aplicar 10% em um fundo privado de apoio ao segmento, o Fundeagro. O secretário estadual da Agricultura, Pedro Barbosa, destacou que, no programa, foi incorporado o fator qualidade para que o benefício seja concedido. "Além disso, temos nos preocupado com a questão da educação sanitária, fundamental para garantir a sustentabilidade ambiental", afirmou.
O Congresso, que tem como tema Algodão, uma fibra natural, vai reunir produtores de todo o país, alguns deles do Mato Grosso, maior produtor nacional, que deve registrar, este ano, uma queda de 15% no volume produzido em 2004, de 1,8 milhão de toneladas. Em paralelo, acontecem o 2º Fórum Nacional de Controle Legislativo de Pragas do Algodoeiro e o 2º Encontro Nacional de Controle do Bicudo. O evento, que acontece a cada dois anos, é uma realização da Embrapa, Apaba, Fundeagro e governo do estado.
