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Professores da Uneb suspendem greve
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Professores da Uneb suspendem greve

Categoria retorna na segunda-feira, mas garante que só vai repor as aulas se o Estado pagar os salários A partir de segunda-feira, as aulas na Universidade do Estado da Bahia (Uneb) voltam ao normal em todas as 24 unidades. A decisão pela suspensão da greve foi tomada por 159 votos a 13, durante assembléia que reuniu cerca de 200 professores, no campus do Cabula, na manhã de ontem. Os professores estavam em greve desde maio e, de acordo com o comando de greve, um novo calendário acadêmico será negociado entre a Reitoria e a categoria a fim de garantir a reposição de aulas. Deste modo, o semestre será salvo. Na Uneb são cerca de 1,3 mil professores efetivos e um total de 26.661 alunos matriculados em todo o Estado. O Superior Tribunal Federal (STF) deferiu, no final da tarde de quinta-feira, o pedido de liminar feito pelo governo do Estado através da Procuradoria Geral do Estado (PGE), cancelando a determinação da desembargadora Ana Maria Rita Assemany, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJB), que no último dia 23 decidiu pelo pagamento dos salários dos professores da Uneb. A informação, no entanto, não alterou o ânimo dos docentes. Em nota à imprensa divulgada ontem, a PGE informa que ?os professores que não aderiram ao movimento grevista receberão seus proventos?. ?Existe um equívoco nesta informação porque toda a categoria entrou em greve, e a reposição de aulas está vinculada ao pagamento dos salários. Se não pagarem os salários, não haverá reposição de aulas e o semestre será perdido?, acentua Clovis Frederico, professor-assistente de história do campus de Alagoinhas e um dos cabeças do movimento. Ele explica que a decisão pela suspensão da greve está vinculada às conquistas feitas pela categoria durante a paralisação de mais de dois meses. No balanço geral, os professores, de fato, saíram vitoriosos. Embora os professores estivessem, também, pleiteando reajuste salarial e mudanças nos planos de carreira e gratificações, a razão principal da greve sempre esteve associada à crise financeira da universidade. Sem dinheiro suficiente para manter despesas fixas como contas de energia elétrica e telefone, a Uneb acumulou dívidas. Até o final deste ano, o montante deve chegar a R$ 16 milhões. Com a greve, a categoria garantiu que a suplementação orçamentária seja obrigatória, ou seja, o governo do Estado terá de colaborar com a instituição. Além disso, está em trâmite um projeto de lei, na Assembléia Legislativa, que dá conta da situação dos professores em estado probatório. Eles querem que docentes nessa situação sejam liberados para pós-graduação strictu-sensu, tenham direito à licença-prêmio e promoção na carreira. Mas, para Clovis Frederico, o maior ganho da greve aconteceu no âmbito político. ?Pela primeira vez, a sociedade baiana parou para discutir a situação das universidades estaduais, o que já é uma grande conquista. O problema sempre existiu, mas sempre se passou ao largo dele, como se não existisse?, disse o professor. A estudante Sílvia Catarina Araújo das Virgens, que cursa o 8º semestre de história, apoiou o movimento grevista, mas espera que este não desemboque em más conseqüências para os alunos. ?Eu avalio a greve como necessária no sentido de que é uma forma de reivindicação. Mas, ao mesmo tempo, espero que não se cometa injustiça com os alunos e o semestre seja atrasado?.
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