X

Fale Conosco:

Aguarde, enviando contato!
PÍLULA ?ANTIBARRIGA? SÓ TEM INDICAÇÃO PARA OBESIDADE
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter

PÍLULA ?ANTIBARRIGA? SÓ TEM INDICAÇÃO PARA OBESIDADE

Mal chegou ao mercado brasileiro e o medicamento Acomplia, conhecido popularmente como a "pílula antibarriga", já virou o desejo de consumo de boa parte da população. O alvoroço não é à toa. O medicamento - cujo princípio ativo é o rimonabanto - age na perda de peso atingindo a gordura intra-abdominal, mas só pode ser usado em pessoas obesas ou com sobrepeso e com fatores de risco associados, como diabetes e hipertensão. Mas a idéia de desfilar com uma barriguinha enxuta tem levado algumas pessoas a simplesmente ignorar as indicações do medicamento e, apesar da compra ser permitida apenas sob prescrição médica, o Acomplia já está disponível em alguns sites da internet e em comunidades do Orkut (ver texto na página ao lado). Para quem está pensando em adquirir a pílula e reduzir medidas sem nenhum esforço, é bom ter calma. O medicamento não deve ser utilizado com fins estéticos e como qualquer outro tem contra-indicações, alerta dado não só por médicos, mas pelo próprio laboratório criador do produto, a Sanofi Aventis. "Acomplia (rimonabanto) não é um medicamento para fins estéticos, não tem indicação apenas na perda de peso e sua atuação é mais abrangente da que lhe foi atribuída e que lhe rendeu o apelido de "pílula antibarriga", comunica o laboratório. Produzido na França e liberado para importação brasileira em abril pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento só pode ser usado por pacientes obesos ou com sobrepeso. Além disso, a indicação é para os que possuem outros fatores de risco, como diabetes tipo 2, triglicerídeo elevado, baixo HDL (colesterol bom) ou dislipidemia (alteração ruim nas taxas de gordura). Além disso, a pílula é indicada apenas para pacientes que tenham o Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 27. O IMC entre 25 e 30 indica sobrepeso e acima de 30, indica que a pessoa já está em um estágio de obesidade. Para calcular o IMC, basta dividir o peso pela medida da altura ao quadrado. Fatores - De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Regional Bahia, Diana Viegas, os fatores de risco devem ser levados em consideração para que o medicamento possa ser indicado. "O IMC deve ser associado a pelo menos dois fatores de risco como diabetes e hipertensão", explica. Para a endocrinologista, existe desinformação quanto aos benefícios e finalidade do Acomplia. "As pessoas acham que a pílula age apenas na perda de peso atingindo a gordura intra-abdominal, mas ele atua na melhoria dos fatores de risco cardiometabólico", diz. Nos últimos anos, os chamados fatores de risco cardiometabólico começaram a chamar a atenção da classe médica, principalmente pelo fato de, com freqüência, ocorrerem de forma simultânea e de serem responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares e do diabetes tipo 2. Hoje, quase 26% dos adultos abaixo de 60 anos no mundo apresentam pelo menos três dos cinco fatores de risco cardiometabólico, configurando um quadro clínico definido como Síndrome Metabólica. O Acomplia atua bloqueando a ação de receptores responsáveis por regular o acúmulo de gordura. Reduzindo a circunferência abdominal e ajudando no controle da diabetes - além de diminuir a gordura visceral (que fica entre os órgãos), também melhora os níveis de glicemia - , o remédio diminui o risco de doenças cardiometabólicas, principal causa de morte no mundo nos dias de hoje. A última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada em 2002 e 2003, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde, revelou que 40,6% da população adulta está acima do peso e 11% com obesidade. No total, há cerca de 38,6 milhões de pessoas acima do peso recomendado e 10,5 milhões são obesos. A obesidade mórbida - a forma mais severa de excesso de peso, associada ao risco de numerosas doenças - teve um aumento de 255% nas últimas três décadas no País. Aprovada em mais de 50 países, a pílula já foi usada por cerca de 500 mil pacientes desde o lançamento, em 2006. Até mesmo no Brasil, alguns pacientes já consumiram o medicamento trazido por importação ou manipulado. O medicamento, que só deve ser vendido a partir da apresentação de receita controlada, chegou às farmácias brasileiras em caixas com 28 comprimidos ao custo médio de R$ 220. Hábitos - A eficácia do medicamento só existe, contudo, se aliada a uma alimentação balanceada e a prática de atividades físicas. "Não existe milagre para tratar a obesidade. Essas pessoas têm que procurar fazer uma mudança no estilo de vida. Esta é a base de qualquer tratamento para emagrecimento. Só vence a obesidade quem muda hábitos", afirma o endocrinologista Osmário Salles. A orientação do endocrinologista foi seguida à risca pela atual presidente da Associação de Pacientes Portadores de Obesidade Mórbida, Miriam Cortial, 36 anos. Com 1.50 m e 135 quilos, a estudante de nutrição perdeu 85 quilos após uma cirurgia bariátrica, e consegue manter o peso, há cinco anos, com alimentação balanceada e exercício físico. "Acredito que todo e qualquer medicamento pode ser criado para ajudar no tratamento da obesidade, mas nada substituirá esses dois pilares. A mudança de hábito é e sempre será fundamental para a perda de peso", afirma a estudante.
Imprimir
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter