Pesquisa revela que 26% das baianas têm problemas sexuais.
Hoje é comemorado o Dia Mundial do Orgasmo. Comemoração ainda distante para mulheres jovens brasileiras, já que atingir o clímax é um dos problemas mais comuns nesta parcela da população. Mesmo com uma boa freqüência, três vezes por semana, 26% das mulheres jovens baianas têm dificuldade para alcançar o ápice do prazer sexual. Segundo pesquisa do Projeto Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP), a baiana, está na média nacional. O problema é maior para as mineiras ouvidas: 37% têm dificuldades para atingir o orgasmo. Em contrapartida, apenas 17% das cariocas reclamaram, o menor índice nacional.
"Existe ainda uma grande dificuldade para atingir o orgasmo. O resultado reflete a educação recebida e as condições de vida. Em cidades praianas, há uma maior liberalidade e, os tabus e mitos em torno da questão sexual são menores", pontuou a coordenadora do Projeto Sexualidade da USP, Carmita Abdo. O orgasmo é descrito, na literatura médica, como a contratação de toda a musculatura, inclusive órgãos sexuais, que ocorre depois da vasocongestão, ou, excitação. Após, o "choque", o corpo fica em um estado de satisfação e relaxamento.
Segundo a pesquisadora, a falta de experiência da mulher e do parceiro, além da ansiedade, contribui para a insatisfação. "O casal acaba não tendo tranqüilidade e intimidade para se conhecer. O orgasmo deve ser conquistado. Todo prazer vale a pena, no encaminhamento para o orgasmo. Tanto o estímulo intra-vaginal como o clitoriano, que é a forma inicial de conhecer o corpo", explicou. Abdo destaca também que, na medida em que o sexo é considerado fundamental para a harmonia do casal pelos brasileiros, de cada dois, um tem problema sexual.
Para a psiquiatra e educadora sexual, Gilda Fucs, a mulher sofre com o problema, que é muito freqüente. "A mulher se queixa de não sentir, nem sozinha, ou então consegue sozinha, ou nos carinhos, mas não consegue na penetração. De dez mulheres com dificuldades, são dez causas diferentes e dez tratamentos distintos", afirmou a médica. As razões, explicou, podem ser orgânicas - distúrbios de anatomia, em vasos, nervos e hormônios - psicológicas ou ambas. E, por vezes, a dificuldade não está no individuo e sim na relação. O tratamento envolve desde medicação a psicoterapias.
"Hoje ninguém se aceita sem estar bem na esfera sexual. Incomoda tanto que a pessoa busca ajuda. A mulher com esta dificuldade se sente mal, imaginando que todos os outros são ótimos. Com a disfunção, sente-se diminuída, desvalorizada e a auto-estima cai", conta Fucs. A busca pela satisfação completa e a exigência, por vezes, do parceiro cria na mulher a ansiedade e a expectativa da sensação de multiorgamos. "O importante é ter um e se sentir resolvida", rebate Fucs.
Serviço: A USP disponibiliza o serviço gratuito para responder dúvidas sexuais. O telefone é 0800 7010136, de segunda a sexta-feira, em horário comercial.
