Obras de trecho da Fiol 2 entre Guanambi e Caetité foram iniciadas.
As obras de um novo trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol 2), entre Guanambi e Caetité, foram iniciadas. O segmento integra o Lote 05FC e possui 35,75 quilômetros de extensão, em uma das áreas consideradas mais complexas da implantação da ferrovia na Bahia.
Segundo informações do diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, divulgadas nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela CNN Brasil, o canteiro já foi instalado e a construtora começou a mobilizar trabalhadores e equipamentos. Os primeiros projetos necessários à execução de estruturas especiais da ferrovia também foram aprovados.
A previsão apresentada pela estatal é concluir o segmento em 2029. A obra está sob responsabilidade do Consórcio A.Gaspar/Vipetro, contratado em março para elaborar os projetos básico e executivo e executar os serviços remanescentes.
O contrato tem valor de aproximadamente R$ 467,9 milhões. O prazo previsto é de 43 meses para execução, contados a partir da ordem de serviço, e vigência contratual de 47 meses. A contratação foi realizada de forma integrada, modelo em que o mesmo consórcio fica responsável pelo desenvolvimento dos projetos e pela construção.
Traçado foi alterado na região de Ceraíma
O trecho ficou paralisado por vários anos devido a questões técnicas e ambientais relacionadas ao traçado original, que passava próximo à Barragem de Ceraíma e à vila de mesmo nome.
O reservatório atende o perímetro irrigado de Ceraíma e integra o Sistema Adutor do Algodão, responsável pelo abastecimento de municípios e localidades da região. A proximidade da ferrovia também provocou preocupação quanto a possíveis riscos geológicos, ambientais e impactos sobre as moradias existentes no entorno.
Para permitir a retomada, o projeto foi reformulado, afastando a linha ferroviária da borda da barragem e da comunidade. Segundo a Infra S.A., a mudança tornou a implantação compatível com as exigências ambientais aplicáveis ao empreendimento.
A contratação do Lote 05FC foi submetida à fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU). O edital tinha orçamento estimado em cerca de R$ 506,6 milhões, enquanto a proposta contratada ficou abaixo desse valor.
A auditoria apontou inconsistências relacionadas ao orçamento e à indicação das fontes de alguns materiais da construção. O TCU comunicou as impropriedades à Infra S.A., mas não impediu a continuidade da contratação. O tribunal também determinou a abertura de um processo específico para acompanhar a execução das obras.
Trecho integra ligação de Caetité a Barreiras
A Fiol 2 corresponde ao trecho ferroviário entre Caetité e Barreiras, com aproximadamente 485 quilômetros de extensão. As obras estão sob responsabilidade da Infra S.A., empresa pública ligada ao Ministério dos Transportes.
O Lote 05FC completa parte do segmento inicial da Fiol 2 e é considerado necessário para consolidar a ligação ferroviária entre Caetité, Guanambi e o oeste da Bahia.
Em março, quando o contrato foi formalizado, a Infra S.A. informou que a Fiol 2 tinha cerca de 71% de execução física e mais de 46% dos trilhos instalados. A conclusão do traçado de Ceraíma deverá eliminar um dos principais pontos de descontinuidade da ferrovia.
A linha foi projetada para atender principalmente ao transporte de minérios e produtos agrícolas. Entre as cargas com potencial de movimentação estão minério de ferro, soja, milho e algodão produzidos na Bahia e em outras áreas do Matopiba.
Quando integrada aos demais trechos, a ferrovia deverá oferecer uma alternativa ao transporte rodoviário para o escoamento da produção do interior até o litoral baiano. A capacidade projetada para a Fiol 2 é de até 50 milhões de toneladas por ano, segundo dados divulgados durante a contratação.
Infra S.A. busca liberar áreas bloqueadas
A retomada do trecho entre Guanambi e Caetité ocorre dentro de uma estratégia da Infra S.A. para resolver impedimentos que dificultam a construção da Fiol 2.
Em 2023, a estatal identificou aproximadamente 74 quilômetros com bloqueios provocados por questões ambientais, fundiárias, espeleológicas e relacionadas a comunidades tradicionais.
Segundo o diretor de Empreendimentos, 46 quilômetros foram liberados desde então, após negociações, obtenção de autorizações e mudanças nos projetos. Outros 28 quilômetros ainda dependem de soluções, com expectativa de liberação até o fim de 2026 ou durante 2027.
Parte dos impedimentos está relacionada à presença de cavernas classificadas como de máxima relevância, protegidas pela legislação. Nesses locais, os traçados precisam ser modificados para evitar impactos sobre as formações naturais.
A estatal também firmou acordos com comunidades quilombolas para liberar 17 quilômetros que permaneciam bloqueados havia aproximadamente uma década. A Fiol 2 está incluída na carteira de empreendimentos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Agencia Sertão
