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O dia em que o criador, mesmo tentando protegê-la, sepultou a criatura
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O dia em que o criador, mesmo tentando protegê-la, sepultou a criatura

Publicitário recebeu R$ 15 milhões sem declará-los oficialmente. Seu depoimento à CPI acabou por atingir diretamente o presidente Lula, para cuja campanha tinha acertado um pacote de R$ 25 milhões. O publicitário Duda Mendonça disse que recebeu, sem declaração, cerca de R$ 15 milhões do PT. ?A gente também não é bobo. Não pode emitir nota fiscal, está na cara que não é dinheiro oficial?, afirmou. ?Na verdade, esse dinheiro claramente era de caixa 2?, disse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga denúncias de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos. Duda diz ter recebido, sem registro, dinheiro em espécie do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e do empresário Marcos Valério. De acordo com o publicitário, todo dinheiro recebido em 2002 foi oficial, com notas fiscais. No ano seguinte, o publicitário continuou prestando serviços à legenda, e ainda tinha dívidas da campanha eleitoral. Segundo Duda, foi a partir de então que uma parte dos pagamentos começou a ser feito sem registro. Duda contou que recebeu ?por fora? do PT, sem emitir notas fiscais, cerca de R$ 10 milhões, que foram depositados em uma conta nas Bahamas. Afirmou que sua sócia, Zilmar Fernandes recebeu por intermédio de Marcos Valério, em espécie e dividido em parcelas o valor de R$ 1,4 milhão. Também, segundo Duda, recebeu em espécie das mãos do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares ou de emissários R$ 3,6 milhões. No sistema oficial o PT repassou R$ 3 milhões, de acordo com informações de Duda. Ele informou ainda à CPMI que o PT lhe deve cerca de R$ 14 milhões. O publicitário disse que não tinha como não receber o dinheiro do PT. ?A gente não tinha outra opção, ou recebia assim, ou não recebia?, afirmou. Zilmar disse que o primeiro pagamento foi feito no início de 2003 na quantia de R$ 300 mil no Banco Rural localizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Ao chegar a agência, Zilmar disse que foi levada a uma sala do banco onde recebeu um pacote com o dinheiro. ?Eu assustei?, afirmou. ?Pensei que ia receber um cheque administrativo?, disse. Zilmar disse não ter dúvidas que aquele dinheiro repassado por Marcos Valério era um empréstimo que estava sendo feito ao Partido dos Trabalhadores. ?Ele (Delúbio Soares) me comentou por duas ou três vezes que estava resolvendo por empréstimo?, disse. O publicitário Duda Mendonça afirmou ontem à CPI dos Correios que não havia fatura ou nota fiscal nos pagamentos que recebia em relação à prestação de serviços para as campanhas do PT a partir de 2003. Ele, no entanto, procurou isentar a campanha para a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. ?Tenho certeza que a campanha do presidente Lula e do senador [Aloizio] Mercadante foi paga com dinheiro oficial?, afirmou ele. Segundo o publicitário, a campanha de Lula era superavitária porque havia muitas contribuições oficiais, em especial no segundo turno, quando a expectativa de vitória era muito alta. O publicitário assumiu o compromisso de juntar esses documentos e remeter os papéis à CPI. Duda ainda afirmou que recebeu dinheiro vivo e que alguns repasses da SMPB, de Marcos Valério, vinham de contas do exterior. ?Esse dinheiro era claramente pago de caixa dois, dinheiro por fora. Não podíamos emitir nota, mas não somos bobos. Era dinheiro de caixa dois?, disse ele. O publicitário ainda admitiu estranhar os pagamentos em espécie, mas como tinha que pagar fornecedores, aceitou os recursos. ?Não tinha poder de decisão. Não havia alternativa?, disse ele. Ainda segundo Duda, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, começou a fazer os pagamentos a partir de 2003. Antes desse ano, a responsabilidade por quitar os débitos da campanha era do então tesoureiro do PT Delúbio Soares. Em seu depoimento, o publicitário não se furtou a criticar a legislação eleitoral, que tachou de ?hipócrita?. Ele colocou-se à disposição para ajudar a mudar essa legislação, porque, segundo ele, os profissionais de marketing são os que mais entendem da prática de campanhas. Duda sugeriu a realização de debates obrigatórios em rede de rádio e TV. ?Aí basta o candidato colocar o paletó?, afirmou ele. ?Não há influência do poder econômico. Vai prevalecer o conhecimento, o carisma, o equilíbrio, a capacidade de se comunicar?, características que , para ele, não se obtêm junto aos marqueteiros. Por isso, disse Duda, os candidatos têm medo de debates.
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