
O processo de abandono econômico e social do sertão baiano é histórico e vem desde a ocupação dos bandeirantes. Durante cerca de 20 anos a região da Serra Geral amargou uma longa crise que desenhou o atual e cruel retrato dos nossos municípios. A derrocada da monocultura do algodão expulsou milhares de pessoas do campo, inchou a periferia das cidades e esvaziou economicamente uma boa parte dos pequenos e médios
municípios da região. Milhares de famílias e jovens foram para SP e os grandes centros para trabalharem nas colheitas de cana e algodão.
Crescimento desordenado, altos índices de analfabetismo, desemprego, fome, miséria, moradias precárias e saneamento zero são marcas do processo de migração do campo para as cidades ocorrido, principalmente, durante os últimos vinte anos.
Os crescentes índices de violência têm raízes históricas no empobrecimento econômico, bem como no fosso social que foi fruto de uma lógica de concentração de renda e poder predominantemente da era de ouro do algodão, que tem como expressão política o coronelismo. Embora alguns argumentos insistam em torcer contra o sucesso dos investimentos que estão sendo implementados pelos governos Lula e Wagner, nos parece irreversível o processo de mudanças econômicas em curso no sertão baiano. Guanambi consolida a sua vocação de pólo regional de comércio, serviços, educação e saúde. Caetité e Brumado fixam cada vez mais na vertente de cidades de exploração de importantes minerais estratégicos para o desenvolvimento da Bahia e do Brasil. Com a construção da Ferrovia Oeste-Leste podemos implantar um cinturão verde de biodiesel
no Vale do Iuiu e no entorno das cidades beneficiadas pela ferrovia. Aos otimistas e aos que acreditaram na retomada do desenvolvimento sustentável da região, a Ponte sobre o Rio São Francisco e a recuperação da BR-030 já é uma realidade. Também a construção de 600 casas populares. A construção da Adutora do Rio São Francisco, bem como
os investimentos privados da Bahia Mineração e o parque de energia eólica, juntamente com a Ferrovia Leste-Oeste, com certeza também serão realidade. Só resta debatermos com responsabilidade qual a melhor forma de implantarmos tais projetos com o mínimo de agressão ao meio ambiente, utilizando medidas de compensações ambientais capazes de reduzir tais impactos. Completa-se dois anos da estadualização do HRG ? Hospital Regional de Guanambi, onde diversos investimentos foram feitos na área de saúde, tais como: implantação do SAMU 192 (Regional); implantação da Farmácia Popular e
do CEO; ampliação dos recursos financeiros do HRG; duplicação dos leitos da UTI; criação de mais de 150 de empregos, contração de profissionais da área de saúde pelo sistema Reda e concurso público; ampliação do berçário de alto risco de 9 para 15 leitos; implantação da UTI neonatal; ampliação da unidade de tratamento semi-intensivo; aquisição de 2 (duas) ambulâncias (Suporte Básico e UTI); liberação das
verbas para construção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no valor de R$ 1.050.000,00; construção do LACEN Regional; e liberação de R$ 450 mil para a ampliação de 5 para 10 leitos da UTI Adulto.
Por outro lado, temos que cuidar para que o desenvolvimento econômico propiciado por estas obras estruturantes desenvolva uma relação econômica que distribua renda, reduzindo as desigualdades sociais e propiciando qualidade de vida para a maioria das pessoas que aqui moram.
"Participe da coleta de assinaturas e das mobilizações em defesa da Universidade Federal Serra Geral?. Está posto o desafio para os municípios. Mais do que nunca é necessário planejamento, investimento em qualificação e requalificação urbanística. É imprescindível investir em saneamento básico, ampliação do abastecimento de água potável, políticas habitacionais, melhoria do trânsito, transportes coletivos, serviços de saúde, educação, assistência social, cultura, esporte, lazer. Enfim, o momento é
propício, principalmente para Guanambi e região.
O futuro está sendo construído no presente. Porém, precisamos assegurar a continuidade do projeto iniciado pelo Governo Lula, juntamente com a democrática reconstrução da Bahia, comandada por Wagner. Além do mais, é fundamental repensarmos do ponto de vista quantitativo e qualitativo a nossa representação parlamentar na Assembléia Legislativa e no Congresso Nacional, como forma de assegurar que tais avanços sejam sustentados ao longo do tempo, sobretudo investindo em saúde, educação, ciência e tecnologia.
É por isso que insisto em bandeiras como o fortalecimento da UNEB e do Instituto Federal de Educação, bem como das instituições privadas e, principalmente, a criação da Universidade Federal da Serra Geral para que possamos desenvolver na região um grande parque de desenvolvimento sustentável.
Participe do esforço de coleta de assinaturas em defesa da Universidade Federal da Serra Geral. Não vamos deixar o cavalo passar selado pela nossa frente.
Dr. Alfredo Boa Sorte é médico, ex Superintendente da Atenção
Básica da Secretaria de Saúde da Bahia e Assessor Especial da SESAB