O caminho das drogas na bahia
O caminho é incerto, mas o destino é mais que certo. Até chegar às mãos dos consumidores de Salvador, a droga percorre longas distâncias. Vinda do interior do estado, estima-se que a maconha passe, pelo menos, por cinco municípios. Já outras drogas, como a cocaína e o craque, vêm de mais longe. Acredita-se que elas sejam de procedentes de outros países, chegando pelo sul do Brasil. Conforme analise investigativa da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), a cocaína e o craque, até chegar a Salvador, devem passar pelos estados de São Paulo, Goiás e Tocantins. A maconha, pela facilidade de plantação, deve vir do interior, passando por Juazeiro, Campo Formoso, Senhor do Bonfim e Feira de Santana.
?Essa rota é uma suspeita que nós temos. Traçamos o percurso conforme as prisões já realizadas. Em Feira de Santana é formada uma espécie de trevo que distribui a droga para as diferentes regiões do estado?, informou o delegado titular da DTE, Ivo Tourinho.
De acordo com o delegado, não é possível definir o exato roteiro por onde as drogas passam, ?assim o nosso trabalho seria muito fácil?, mas o que se pretende é, através das denúncias e pelos índices de ocorrências, identificar as regiões por onde passam as drogas. ?O nosso objetivo é impedir que a droga chegue aqui e identificar os principais fornecedores?, disse.
Uma vez identificado, o provável ponto da rota das drogas passa a receber uma atenção especial. ?Sendo levantada a suspeita de que exista a possibilidade de determinado ponto está servindo de passagem ou venda de drogas são iniciadas as investigações?, esclareceu.
Distribuição na capital
Ao chegar à capital baiana, a droga é dividida entre os diversos pontos de tráfico da cidade. Segundo o delegado da DTE, locais como Brotas, Federação, Itapuã, Pernambués e todo o subúrbio ferroviário são os que recebem maior atenção por conta da venda de entorpecentes. ?A nossa atuação é determinada pela incidência de denúncias. Nestes bairros, ocorrem o maior número de ocorrências?, esclareceu. Somente do início deste ano até esta segunda quinzena do mês de julho, as operações policiais prenderam 261 traficantes em Salvador. ?Para chegar até eles, nós utilizamos de todo tipo de investigação que a lei autoriza. O objetivo é identificar os locais de venda e saber quem são os traficantes e os usuários dessas áreas, que são vistoriadas?, informou o delegado.
A identificação do traficante ocorre pela atividade exercida. ?As pessoas costumam achar que a quantidade de droga encontrada é que determina se a pessoa é usuária ou traficante, mas o que vale é a atividade exercida. Se for constatado que, mesmo um único cigarro de maconha, não era para uso e sim para venda o portador é considerado traficante?, esclareceu o delegado.
De acordo com a legislação, o consumo de drogas também é crime. ?Mas, o que acontece é que, por ser um crime de menor potencial ofensivo, o usuário tem a possibilidade de assinar um termo de compromisso em comparecer ao juizado para responder pelo delito e ser liberado?, explicou Tourinho.
Prevenção e denúncias
Para o delegado da DTE, Ivo Tourinho, o aumento do tráfico de drogas está diretamente relacionado com o crescente número de usuários. ?É a lei da oferta e da demanda, porque o tráfico de drogas é como se fosse um grande comércio ilegal e, como tal, obedece a lei do mercado?.
O delegado acredita que os trabalhos de prevenção são os principais parceiros da polícia no combate as drogas. ?O nosso trabalho é investigar e combater o tráfico e o uso indevido de entorpecentes, mas é preciso contar com as ações preventivas porque depois que se começa a usar a droga a tendência é contribuir ainda mais para o aumento do tráfico?.
Para a identificação dos pontos em que são vendidas as drogas e, consequentemente, combate ao tráfico, a polícia baiana conta com o disque denúncia (71-3235-0000). ?A ligação não é gratuita, mas a pessoa tem a possibilidade de acompanhar o registro através de um número de protocolo. Por ser pago, nós evitamos os trotes?, informou o delegado. Por mês, o disque denúncia recebe 720 denúncias.
