MENSALÃO - Presidente da CPI disse que Lula deve explicações sinceras ao país
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga as denúncias de corrupção no Brasil, Delcidio Amaral, considera que o presidente Luiz inácio Lula da Silva ainda deve ao povo brasileiro uma explicação sincera sobre a grave crise provocada por acusações de corrupção proferidas contra o Partido dos Trabalhadores (PT). "O presidente é um homem de bem, sério, que goza de grande popularidade, comprometido com a ética, com o respeito à coisa pública. Agora, é evidente que não seria ruim se ele falasse sobre essa questão de peito aberto, até para mostrar não só a sinceridade que é uma de suas caraterísticas, mas também que se trata de um caso isolado, e que as pessoas de bem não podem ser prejudicadas por essas denúncias", declarou Amaral em entrevista concedida à AFP.
Em uma de suas intervenções sobre a crise que abala o Brasil há mais de dois meses, Lula afirmou que o PT limitou-se a manter uma prática "sistemática" ao criar um caixa dois para financiar suas campanhas eleitorais. Amaral, que também é líder da bancada do PT no Senado, não ficou satisfeito com a explicação do presidente. "Não me satisfaz porque é uma generalização, e eu acho que nenhuma generalização é boa. Eu tenho certeza absoluta de que muitos parlamentares fizeram campanhas modestas e declararam ao partido tudo que gastaram.
O presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), vai se antecipar à decisão da CPI dos Correios de convocá-lo e comparecerá espontaneamente na terça-feira. No mesmo dia, o ex-ministro José Dirceu irá depor no Conselho de Ética da Câmara. Aos integrantes da comissão, o senador vai explicar os detalhes sobre o empréstimo de R$ 200 mil avalizado pelo empresário Marcos Valério a sua campanha de 1998 para o governo de Minas Gerais.
O empréstimo foi concedido em 2001 pelo Banco Rural, a mesma instituição em que Valério tirou dinheiro a pedido do PT para o pagamento de dívidas de campanhas de candidatos do partido e de legendas da base aliada. Azeredo não é integrante da CPI, mas como é senador pode comparecer às sessões e pedir a palavra. Para evitar uma convocação, Azeredo deve usar esta estratégia e, quando fizer o pronunciamento, irá tratar de suas relações com Valério.
Se os integrantes da CPI considerarem as explicações suficientes, o presidente do PSDB não deverá ser chamado para outro depoimento. Por outro lado, se os parlamentarem quiserem mais detalhes, poderão convocá-lo para uma futura sessão.
