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JOVENS MATAM COMERCIÁRIO APÓS PASSAREM A NOITE JUNTOS
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JOVENS MATAM COMERCIÁRIO APÓS PASSAREM A NOITE JUNTOS

Depois que dois jovens assassinaram a facadas o comerciário Benedito Souza Brito, 38 anos, após passarem a noite juntos, no apartamento dele, no bairro de Canabrava, um dos autores acabou capturado pela polícia porque ficou preso na cena do crime. O comparsa dele conseguiu escapar por um buraco de cerca de 40cm de diâmetro, arrombado na grade da porta, que tinha sido trancada pela vítima horas antes. Mas ele não conseguiu passar pelo pequeno diâmetro e acabou trancado no interior da residência, até a chegada da Polícia Militar, acionada pelos vizinhos, no início da manhã. Trata-se do 15º crime de homofobia registrado este ano na Bahia. Capturado dentro do apartamento, um adolescente de 17 anos confessou que matou Benedito, junto com o parceiro Jeferson Silva Santos, 18, com intenção de roubá-lo, depois que os três passaram a noite em uma orgia regada a bebida e drogas. A vítima foi a única a consumir apenas bebida alcoólica. Segundo a versão do adolescente, ele e o comparsa mantiveram relação sexual com a vítima, com quem já tinham feito programa outras vezes. A vítima trabalhava há mais de 20 anos como caixa no bar e restaurante Santíssima Bahia, antigo Casquinha de Siri, em Piatã. Benedito foi assassinado no início da manhã, em seu apartamento, no condomínio Mata Atlântica II, próximo à Faculdade Jorge Amado. O adolescente contou que ele e o parceiro acordaram, no início da manhã, e resolveram matar o comerciário para roubá-lo. Os dois pegaram uma faca do tipo peixeira na cozinha e atacaram a vítima dormindo. Em seguida, reviraram a casa atrás de dinheiro, mas não acharam nada porque Benedito tinha escondido seus pertences. Sem encontrar nada para roubar e com o dia amanhecendo, a dupla resolveu fugir, mas foi surpreendida, ao encontrar a porta da rua e a grade trancadas. Não conseguindo localizar as chaves, também escondidas pela vítima, os dois arrombaram a porta e abriram um buraco na grade, empenando as barras com um martelo. Mais franzino, Jeferson conseguiu passar pelo pequeno buraco, mas o adolescente não. A barulhada feita pelos dois acordou quase todos os vizinhos do prédio, que começaram a gritar por socorro. Os gritos dos moradores assustaram Jeferson, que fugiu correndo, deixando o parceiro para trás. Pouco depois, chegaram ao local policiais militares da 50ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Sete Abril), que arrombaram o apartamento para tentar socorrer Benedito e prender o adolescente, mas o comerciário já estava morto. O infrator foi conduzido à Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), em Brotas, onde foi interrogado pela titular Claudenice Mayo. Familiares de Benedito chegaram ao apartamento em seguida e ficaram bastante emocionados ao saber da morte do comerciário. Com os olhos cheios de lágrimas, a auxiliar de enfermagem Maria das Graças de Jesus Santana, 51, irmã da vítima, contou que ele era filho adotivo e muito amado por todos. "Ele foi criado com muito amor por minha mãe, no bairro de Marechal Rondon, mas resolveu morar sozinho há cerca de quatro anos", contou. Parentes confirmaram que Benedito era homossexual, mas ressaltaram que ele era muito discreto e não costumava falar sobre o assunto. Benedito era formado em pedagogia, chegou a lecionar, mas já trabalhava como caixa no Santíssima Bahia há mais 20 anos. Vários colegas de trabalho e até o patrão foram ao local do crime para consolar os familiares. O garçom João Silvério disse que Bené, como era chamado pelos amigos, era querido por todos. A vizinha Neide Pereira, 33, também defendeu o comerciário, dizendo que ele tinha uma ótima relação com outros moradores. A equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT), comandada por Isaac Queiroz, realizou perícia no local do crime, encontrando sob a pia da cozinha a arma usada pelos autores, uma faca do tipo peixeira. A carteira de Benedito estava escondida no armário do quarto, com cerca de R$1.500 em espécie, cartões e um talão de cheques. Na cozinha do apartamento, a chave da porta da casa foi localizada em um armário. *** Estado lidera ranking nacional Com a morte de Benedito Souza Brito, subiu para 15 o número de homossexuais assassinados na Bahia, apenas nos sete primeiros meses de 2008, contra 18 ocorridos ao longo de todo o ano de 2007. As estatísticas mantêm o estado na liderança do ranking dos crimes de homofobia no país, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB). Pernambuco ocupa o segundo lugar com oito casos este ano. O presidente em exercício do GGB, Luiz Mott, disse que, apesar das políticas contra homofobia que vêm sendo implantadas, o ódio contra homossexuais ainda continua muito grande no Brasil. Somada a morte de Benedito, o número de homossexuais assassinados subiu para 97, em todo o Brasil, mantendo-o em primeiro lugar entre 30 países pesquisados. Abaixo estão os EUA, com 35 homicídios e o México com 25. "Dois mil e oito promete ser o ano mais sangrento na história do país em número de homicídios de homossexuais, porque estamos no mês sete e já chegamos a quase cem casos", declarou Mott. Segundo ele, a quantidade de registros anuais é pouco maior do que cem. Para Mott, apesar de o governo federal ter criado o Programa Brasil Sem Homofobia e promovido a conferência Nacional GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais), muitos brasileiros ainda têm ódio contra homossexual. "O fato de os desfiles do orgulho gay terem se espalhado por todo o país, com participação de muitos heterossexuais, também não acabou com a homofobia", explica Mott. O Grupo Gay da Bahia elabora campanhas de conscientização e divulga uma lista com dez recomendações para ajudar homossexuais a evitar serem vítimas de violência (veja quadro). Benedito chegou a adotar uma dessas orientações do GGB, trancando a porta e escondendo a chave. A medida não evitou a morte do comerciário, mas acabou fazendo com que um dos autores fosse preso e outro identificado. *** Evite levar desconhecidos ou garotos de programa para casa. Prefira fazer programas em hotéis, motéis ou saunas; Investigue a vida da pessoa com quem pretende sair. Prefira pessoas conhecidas ou indicadas por amigos; Nunca beba líquidos oferecidos pelo parceiro desconhecido. A bebida (ou chiclete) pode conter soníferos, o perigoso "boa noite, Cinderela". Em bar ou boate, preste atenção em seu copo; Se levar alguém para casa, não o esconda do porteiro ou de vizinhos. Eles podem ajudá-lo na hora do perigo; Se for possível, demonstre para seu parceiro eventual que é gay assumido. Isso evita chantagem ou tentativa de extorsão; Não se sinta inferior, não se mostre indefeso, não cultive o tipo machão; se ele o ameaçar, grite, saia correndo e peça socorro aos vizinhos; Evite fazer programa com mais de um michê. Antes da transa, acerte todos os detalhes para evitar brigas e discussões; Não humilhe o parceiro. Não exiba jóias, riqueza ou símbolos de superioridade que despertem cobiça; Se o encontro for na sua casa, tranque a porta e esconda a chave. Não deixe armas, facas e objetos perigosos à vista; Se for agredido, procure a polícia, peça exame de corpo de delito e denuncie o caso aos grupos de ativistas homossexuais. Não tenha medo: é legal ser homossexual!
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