Governo pretende recolher 500 mil armas.
O governo pretende recolher 500 mil armas até julho deste ano, prazo final da Campanha Nacional pelo Desarmamento. Se atingida a meta, o governo federal terá praticamente dobrado o número de armas recolhidas em todo o País. Em seis meses de campanha, até dezembro do ano passado, já foram entregues 270 mil armas de fogo.
?Nós achávamos que iríamos recolher 80 mil armas até dezembro do ano passado e chegamos a 270 mil. Nossa meta agora é de 500 mil armas até julho?, disse o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em solenidade de lançamento da segunda etapa da campanha do desarmamento em São Paulo.
Na esteira do sucesso da campanha, o Ministério da Justiça começa a partir de agora com uma espécie de campanha paralela em relação ao plebiscito que, em outubro, decidirá se o País pode ou não manter a comercialização de armas. Marcado para outubro, o plebiscito deve se transformar num divisor de águas nos planos das autoridades para o combate à violência.
?Aproveitando o embalo dessa campanha vitoriosa, vamos entrar com toda a força para que seja proibida a comercialização de armas em todo o Brasil?, disse o prefeito de São Paulo José Serra. No Estado de São Paulo, no segundo semestre de 2004 o número de homicídios caiu 22% em relação ao mesmo período de 2003.
?Isolada, a campanha não resolve o problema da violência, mas é uma das medidas que ajudam a diminuir com a violência, principalmente os crimes bobos, cometidos em estádio de futebol, em brigas de casal ou de crianças que encontram armas na gaveta dos pais?, disse o ministro.
Iniciada em 15 de julho 2004, a Campanha do Desarmamento recebeu o Prêmio Unesco 2004, na categoria Direitos Humanos e Cultura da Paz. A Unesco considerou a campanha uma das melhores estratégias de promoção da paz já desenvolvidas na história do Brasil.
Nos últimos sete meses, foram arrecadadas 55 mil armas apenas na capital paulistana. O estado de São Paulo lidera a lista de arrecadações, com 76.834 armas. Em seguida estão Rio de Janeiro (26.444), Paraná (23.120) e Minas Gerais (21 mil).
O orçamento da Campanha do Desarmamento em 2005 é de R$ 20 milhões. Para cada arma entregue nos postos autorizados, a pessoa recebe R$ 100. Na capital, as armas podem ser entregues em delegacias e em postos da Guarda Civil Metropolitana.
Comitê ? Em seu discurso, o prefeito José Serra propôs a criação de um comitê suprapartidário para a campanha a favor da proibição da venda de armas de fogo no Brasil. A questão será debatida em outubro, por meio de um referendo popular promovido pelo governo federal, para saber se a população concorda com a proibição da venda de arma de fogo e munição em todo o território nacional. Em caso de aprovação, a medida entrará em vigor na data de publicação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
?Partidos, instituições e organizações da sociedade civil. Vamos ter que somar todas as forças, independentemente de diferenças políticas, orientação religiosa e crenças, em nome de uma causa maior, que é a causa da paz, da não-violência. Que este ato represente o ponto de partida para a organização do nosso lado, que é o da paz, para o plebiscito?, ressaltou.
