Empresário nega ter dado R$ 4 milhões a Jefferson
Marcos Valério contestou também todas as afirmações do presidente licenciado do PTB, de que teria se encontrado com ele na primeira quinzena de julho de 2004 para entrega de recursos para campanhas dos petebistas. Mostrou, com cópias de reservas de hotel e tíquetes aéreos, que esteve em Brasília apenas no dia 7 daquele mês e que em 9 de julho viajou para Nova York, retornando dia 18. ??O deputado Roberto Jefferson ia construindo seu depoimento durante as entrevistas, criando e fundamentando teses??.
Também negou que tenha entregue R$ 4 milhões ao deputado Roberto Jefferson. Disse que conhece Emerson Palmieri, tesoureiro informal do partido, com que esteve na sede do PT, em Brasília. ??Conversamos sobre política e eleições. Ele me contou histórias de suas viagens com uma [motocicleta] Harley Davidson. Não houve nenhum negócio de levar dinheiro. Fiquei surpreso com a afirmação dele de que levava dinheiro em malas. Sobre esse dado ele não tem credibilidade??.
FAZENDAS BAIANAS ? Sobre a aquisição de fazendas na Bahia, o publicitário afirmou que adquiriu as propriedades por meio de um corretor e que não conhece os ex-donos dos imóveis. Entregou ao relator um pacote com documentação das propriedades.
Questionado sobre sua suposta influência no governo, inclusive na discussão da divisão de cargos, como disse o então líder do PMDB na Câmara, José Borba, o publicitário negou e disse que era ??mentira?? do deputado. ??Não tratei de cargos; tratei de campanhas do PMDB. Até porque, daqui a pouco, serei um ministro sem pasta??. Parlamentares gritaram: ??Já é!??.
Marcos Valério afirmou que se aproximou do ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga por conta de um drama familiar em comum: os dois tiveram filhos vítimas de câncer. Por causa disso, ele afirmou que contratou os serviços de advocacia de Veiga para poder ajudar no pagamento do tratamento. ??O contrato foi feito em 2003, quando ele já não era ministro??.
SECRETÁRIA ? A respeito da secretária Fernanda Karina Somaggio disse que a demitiu porque percebeu que não precisava mais de uma secretária, uma vez que viajava mais do que ficava na empresa. Negou que ela tenha presenciado qualquer transação em dinheiro feita em malas. ??A Karina ficava no primeiro andar da agência, e o setor administrativo, no segundo. Ela não tinha acesso ao setor financeiro??.
Disse que, depois que Karina deixou a empresa, ligou várias vezes ??solicitando ajuda financeira??. Segundo o publicitário, ela enviou vários e-mails na qual fazia ameaças veladas. Valério leu alguns desses e-mails e deu a entender que a ex-secretária foi paga para conceder a entrevista à revista ??IstoÉ Dinheiro??.
Disse que nunca enviou recursos para o exterior como pessoa física. Assentiu que a empresa paga fornecedores em outros países, ??cerca de US$ 7.000 a US$ 10 mil??. Disse não conhecer a Beacon Hill, conta investigada durante a CPI do Banestado por ter sido utilizada por doleiros para supostamente lavar dinheiro.
Sobre o eventual potencial explosivo de suas declarações à CPI, procurou tranqüilizar os deputados e senadores. Afirmou que não tem poder para ??abalar a República??. ?
ENTENDA O CASO
? Maurício Marinho, um dos diretores do Correio nomeado pelo PTB, foi filmado recebendo uma propina de R$ 3 mil para facilitar a aquisição de materiais por uma empresa, dizendo que o deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, e o diretor Antonio Osório, estavam por trás da empreitada.
? Em entrevista à Folha de S. Paulo Jefferson saiu da condição de acusado para acusador, denunciando que havia um esquema de pagamento de mensalidade a deputados no valor de R$ 30 mil mensais, o ?mensalão?, para aprovação de projetos de interesse do governo.
? Jefferson diz que o esquema do ?mensalão? era do conhecimento de integrantes do governo e cita os ministros Ciro Gomes (PSB), Aldo Rebelo (PCdoB) e Walfrido Mares Guia (PTB), além do próprio presidente Lula.
? As denúncias de Jefferson levaram o Congresso a pedir a criação de uma CPI Mista para investigar o caso. O governo reagiu, tentando barrar a iniciativa, a Câmara instalou uma sindicância e acionou o Conselho de Ética, mas a CPI dos Correios foi instalada.
? Depondo no Conselho de Ética da Câmara, Roberto Jefferson voltou ao ataque dizendo que o então ministro José Dirceu (Casa Civil), juntamente com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o empresário Marcos Valério, eram os responsáveis pela operação do ?mensalão?, que beneficiaria deputados do PL e do PP.
? Jefferson diz também no Conselho de Ética que através um acordo entre ele, Dirceu, Delúbio e o presidente do PT, José Genoino, o PTB passaria R$ 20 milhões para o PTB a fim de bancar a campanha do ano passado. Desse dinheiro recebeu R$ 4 milhões de duas vezes, uma de R$ 2,2 milhões e outra de R$ 1,8 milhão.
? O publicitário Marcos Valério, dono da SMP&B e DNA, empresas que mantém contratos com o governo, é apontado formalmente como ?o homem da mala?, que pagou os R$ 4 milhões e também faria o pagamento aos deputados.
? José Dirceu renuncia à Casa Civil e volta para o Congresso dizendo que iria se defender das acusações.
? Reportagem da Veja expõe que o publicitário foi avalista de um empréstimo de R$ 2,4 milhões feito pelo PT ao Banco Minas Gerais (BMG), que conta com a assinatura do presidente do partido José Genoíno, e ainda pagou uma parcela de R$ 380 mil que não foi quitada pelo partido.
? Crise se intensifica e provoca um racha interno no PT, cujas lideranças pedem a saída do presidente José Genoíno, do secretário-geral, Silvio Pereira, e do tesoureiro, Delúbio Soares. Os dois últimos se afastaram. Genoino resiste, pelo menos, até uma reunião que será realizada sábado.
? Valério depõe na CPI, nega que tenha pago os R$ 4 milhões a Jefferson, se recusa a responder perguntas sobre a movimentação financeira das suas empresas.
? O PT marcou nova reunião da Executiva nacional para sábado quando decidirá os nomes que comporão a nova direção do partido.
