Em visita à Bahia, Alckmin dispara contra Lula.
O presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) bem que tentou, mas não conseguiu fugir da linha "bateu levou" que tem norteado a sua caminha rumo ao Palácio do Planalto. Em visita à Guanambi, no Sudoeste do Estado, o ex-governador de São Paulo voltou a atacar o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).
"Nós já estamos no terceiro ano de crise no setor agrícola e o governo não enfrenta os problemas, então chegou a hora de se fazer um governo não dos companheiros, mas para toda a população", disse Alckmin. "O Lula teve aqui na Bahia uma das maiores votações do Brasil e, depois, virou as costas para o Estado, num tratamento totalmente anti-republicano".
Alckmin chegou ao aeroporto recepcionado pelo prefeito de Guanambi, Nilo Coelho (sem partido) e pelo governador Paulo Souto (PFL), tentando capitanear a atenção de ambos. Tanto Nilo, quanto Souto, tentaram disfarçar a histórica briga política entre ambas as correntes baianas, sob a chancela carlista.
Indagado sobre a declaração do senador ACM (PFL-BA) de que "a campanha de Alckmin tinha muitos soldados e poucas armas" e que a de Lula "tinha poucos soldados, mas armados até os dentes", ele não ficou indiferente e disparou: "O senador ACM tem razão. Só que, além de armados, são abusados porque não respeitam a Lei".
Para justificar o ataque, Alckmin disse que no Brasil existem 64 mil quilômetros e o presidente viaja de Air Bus, com boeing atrás e dois helicópteros Puma fazendo campanha".
Ainda sob o tom duro da campanha nos últimos dias, o presidenciável foi enfático: "Não vou endurecer o tom da campanha. Vai ser Paz e amor, com muito trabalho", disparou.
Alckmin visitou a XX Exposição de Guanambi, comprou imagens de santos e foi ao pátio de leilões. Durante todo o dia em que esteve na cidade, foi recepcionado por cerca de 3 mil pessoas.
Discursando para uma platéia de prefeitos, vereadores e comunidade de Guanambi, o tucano foi enfático ao afirmar que manterá todos os programas sociais do atual governo, porém creditando a "paternidade" ao presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso e ao senador ACM. "Foram eles, com o Fundo de Combate à Pobreza, que criaram o primeiro passo dessa rede de proteção social, que vamos manter, aperfeiçoar e ampliar".
Mais tarde, no calor dos aplausos, o presidenciável foi mais fundo: "O Brasil precisa crescer", disse, batendo de frente com Lula. "Precisamos dar um "chacoalhão" no País, pois não é possível o Bolsa-Família disponibilizar R$10 milhões e o "bolsa-juros", consumir R$156 bilhões".
