É SER MUITO CARA-DE-PAU. Só óleo de peroba nele
Peça-chave na apuração das denúncias da existência de um esquema de pagamento de ??mensalão?? a deputados, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza confirmou sua amizade com Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, admitiu que se reuniu com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu no Palácio do Planalto, mas disse desconhecer o suposto pagamento de mesada e repetiu várias vezes que os R$ 21 milhões sacados em dinheiro vivo de sua conta no Banco Rural foram utilizados para pagamento de fornecedores. Mas se recusou a dar mais detalhes, apesar da insistência dos parlamentares.
Valério atacou sua ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, levantando suspeitas de que ela recebeu dinheiro para conceder entrevista à revista ??IstoÉ Dinheiro??, na qual apontou ligações entre o publicitário e Delúbio. Ele também criticou a imprensa por ter tido acesso, de forma ??ilícita??, a relatórios do Coaf que demonstram sua movimentação financeira.
O publicitário confirmou que conhece o assessor do deputado José Janene, João Claudio de Carvalho Genu, e afirmou que as declarações do deputado José Borba (PMDB-PR) de que ele participava da discussão da partilha de cargos no governo federal ??são mentirosas??.
Demonstrando tranqüilidade e blindado por um habeas corpus que lhe permitia ficar em silêncio, se o desejasse, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que ele compareceria à CPI na condição de acusado, Valério respondeu a todos os questionamentos dos parlamentares, utilizando, muitas vezes, respostas curtas como ??não??, ??não tenho conhecimento??, ??não sou expert no assunto??.
O empresário mineiro repetiu que esteve apenas duas vezes com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em 2005, fazendo uma descrição detalhada de sua agenda nos primeiros 18 dias de julho de 2004, buscando provar que não se reuniu com o petebista no período. Seu objetivo era mostrar que o deputado teria mentido ao dizer que, em julho de 2004, o empresário havia entregue a ele R$ 4 milhões referentes a um acordo político entre PT e PTB.
AMIZADES ? Valério evitou responder diretamente um questionamento de que uma empresa sua - Estratégica Marketing - poderia ter contratado um dos filhos do presidente da República. ??Eu não posso dizer que sim ou não. Não tenho conhecimento disso. Não sei nem mesmo o nome do filho do presidente??.
Ele destacou que tem amizade com políticos de vários partidos - PSDB, PMDB, PFL -, disse que foi avalista de um empréstimo de R$ 2,4 milhões do PT no BMG por amizade a Delúbio e que os R$ 350 mil que ele pagou como devedor solidário, no ano passado, até agora não foram saldados pelo PT. De acordo com o publicitário, ele deixou de ser avalista do partido, mas não sabe quem é o atual endossador do empréstimo.
Questionado pelo deputado Murilo Zauith (PFL-MS) se suas declarações poderiam ??abalar a República??, respondeu: ??Não me dou toda essa importância. Sou um cidadão normal. Meu depoimento não iria tirar o sono do presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) ou de alguns parlamentares.?? E afirmou que ??a República não vai cair por minha causa. O país vai continuar normal??.
Seu depoimento não agradou os parlamentares do PSDB e do PFL, que levantaram suspeitas de que o empresário teria movimentado recursos no exterior. Ele negou que tenha feito esse tipo de operação como pessoa física, admitindo apenas que suas empresas fazem remessas para o exterior.
?Fiz um favor ao Delúbio?
O depoimento de Marcos Valério não agradou os parlamentares do PSDB e do PFL, que levantaram suspeitas de que o empresário teria movimentado recursos no exterior. Ele negou que tenha feito esse tipo de operação como pessoa física, admitindo apenas que suas empresas fazem remessas para o exterior.
O publicitário confirmou a amizade com o ex-tesoureiro do PT e o aval ao empréstimo de R$ 2,4 milhões tomado pelo partido no BMG e, embora tenha pago uma das parcelas, no valor de R$ 350 mil, afirmou que ainda não cobrou esse valor da legenda. ?Paguei porque não quero ter problemas com execuções?, assinalou. Ele afirmou que deixou de ser avalista do partido. ??Ele [Delúbio] me pediu para ser avalista porque o partido precisava liquidar um débito e o BMG queria o aval de alguém que tivesse lastro. Hoje não sou mais avalista??.
Afirmou que aceitou ser avalista do empréstimo para fazer ??um favor a Delúbio??. Negou que tenha aumentado seu patrimônio por conta dos contratos com órgãos do governo, e disse que não sabia que o PT não tinha patrimônio negativo. ??Não sabia que o PT tinha recursos insuficientes para pagar o débito??.
Confirmou também que se reuniu com o ex-ministro da Casa Civil no Palácio do Planalto. Na ocasião, estava acompanhado, segundo confirmou, por José Augusto Dumont, do Banco Rural. Ele negou, porém, que a conversa tenha sido sobre eventual benefício ao banco. Valério afirmou que era amigo pessoal do ex-vice-presidente da instituição, morto no ano passado. ??Ele [Dumont] foi informar que iria explorar minas de nióbio no Amazonas??.
De acordo com o publicitário, ele utilizou duas vezes aviões do banco, mas negou que tenha sido para levar malas de dinheiro a deputados. O publicitário disse que esteve no Banco Central, com o vice-presidente do banco, e acompanhado do deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG), mas não informou o motivo do encontro. Marcos Valério confirmou os saques em dinheiro feitos no Banco Rural, mas não deu detalhes sobre o destino dos recursos. Quando questionado por parlamentares, repetia que a verba serviu para ??pagar fornecedores??. Ele disse que suas contas estão à disposição e que a Receita Federal está investigando sua movimentação financeira.
