Doze parlamentares foram punidos por contrariar a decisão da Executiva.
Os deputados federais baianos Walter Pinheiro e Luiz Alberto estão entre os 12 parlamentares punidos, ontem, pela Executiva Nacional do PT, por não terem votado a favor do salário mínimo de R$ 260. Na resolução aprovada, os ?dissidentes? - nove deputados e três senadores ? ficam proibidos de ocupar novas funções de representação de bancada e do partido no Congresso.
A Executiva também abrirá um processo de discussão, visando repactuar sua relação com o partido e com as respectivas bancadas. A suspensão será mantida enquanto perdurar o processo de negociação. Dessa forma, quaisquer outras punições, segundo a resolução, serão avaliadas somente após as tentativas de repactuação.
Luiz Alberto se absteve na votação e não foi localizado ontem. Walter Pinheiro, que nas duas votações da Medida Provisória do salário mínimo votou contra a proposta do governo, acha que a decisão da Executiva, na prática, abre um canal de diálogo com o partido. ?Se a Executiva admite que precisa repactuar com a gente, é porque reconhece que só conversa com as bancadas no momento da votação e para dizer que tipo de voto quer?, comentou Pinheiro.
Para o petista, ficou evidente que falta ao partido um processo mais apurado de interação com os parlamentares. Isso fica claro, segundo ele, com a disposição do governo em convocar o Congresso em julho. ?Como podem punir a gente, que votamos contra o valor do mínimo, e, em seguida, defender a convocação extraordinária do Congresso, que custará R$ 50 milhões aos cofres públicos??, questiona Pinheiro, informando que esse montante daria para construir 50 mil cisternas no Nordeste.
O PT, lembra Walter Pinheiro, tem um projeto que altera o recesso parlamentar. O descanso de julho seria reduzido de 30 para 15 dias, e as folgas no final do ano, de 60 para 30 dias. ?Por que não houve um esforço para votar a matéria??, indaga o petista, assinalando que o parlamentar é eleito para debater, elaborar propostas e, quando necessário, discordar. ?Não fomos treinados para levantar a mão?.
Os outros parlamentares punidos pela Executiva Nacional do PT são: os senadores Paulo Paim (RS), Flávio Arns (PR), Serys Slhessarenko (MT); e os deputados Ivan Valente (SP), Chico Alencar (RJ), Doutora Clair (PR), Maria José da Conceição Maninha (DF), Orlando Fantazzini (SP), João Alfredo (CE) e Mauro Passos (SC).
