Disputa de terra acaba em morte em Malhada.
Lideranças de movimentos de trabalhadores rurais e de quilombolas na região do Médio São Francisco querem uma investigação detalhada sobre a morte do quilombola Alvino Mendes de Almeira, 54 anos, pai de 13 filhos, ocorrida na última sexta-feira, na Ilha de Malha Delta. Ele foi morto com um tiro de rifle, uma arma que pertence a Benedito José de Oliveira, conhecido como Susu, empregado do fazendeiro Fernando Bastos, com quem os quilombolas de Parateca e Pau D' arco disputam terras na beira do Rio São Francisco. As lideranças suspeitam de assassinato.
Informações recebidas por integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Caetité, por intermédio de trabalhadores que estavam na ilha com Alvino, apontam que eles plantavam feijão, quando Benedito chegou e os convidou para tomar café na casa da fazenda, coisa que não costumava fazer. Pouco tempo depois, tirou o rifle de um saco e foi para frente da casa e disparou o tiro que atingiu a nuca de Alvino. O trabalhador agonizante foi levado para o hospital de Malhada, município vizinho, mas chegou morto. Após o tiro, Benedito disse aos trabalhadores que a arma disparou acidentalmente.
O membro da Comissão Especial das Comunidades do Movimento de Trabalhadores Acampados e Assentados (Ceta), Florisvaldo Rodrigues da Silva, levanta uma série de questões que revelam uma tendência de acobertar os fatos ocorridos no episódio.
LAUDO ? Entre esses motivos, destacam-se a falta de comunicação da família de Alvino para acompanhá-lo até o hospital e, na perícia policial, o corpo sepultado sem a família conhecer o atestado de óbito e o laudo médico e policial e como um tiro acidental a distância de 50 metros atingiria a nuca, logo do único quilombola do grupo presente que prestava serviço para o fazendeiro.
A CPT de Caetité também informou que as duas áreas foram demarcadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), faltando poucos meses para que as comunidades recebam a posse definitiva da terra. Por estudos da CPT, os habitantes estão na terra há cerca de 300 anos e receberam um laudo antropológico da Fundação Cultural Palmares. As terras onde plantam feijão na ilha são da União, porque são banhadas pelo Rio São Francisco, informou a assessoria de comunicação da CPT.
A CPT da região, vereadores de vários municípios e o deputado Luiz Alberto (PT) querem que o Incra e a Polícia Federal investiguem o morte de Alvino, segundo a assessoria.
