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Deputado quer legalizar brigas de galo e canário.
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Deputado quer legalizar brigas de galo e canário.

Projeto de parlamentar baiano acende polêmica e provoca ira de ambientalistas. As brigas de galo que tantas polêmicas políticas causaram recentemente, com a prisão do publicitário Duda Mendonça, estão gerando mais confusão, mais uma vez no terreno político. Desta feita quem acendeu o estopim foi o deputado federal Fernando de Fabinho, do PFL baiano. O parlamentar entrou com um projeto de lei na Câmara dos Deputados discriminalizando brigas de galo e de canário, provocando a ira dos ambientalistas, naturais defensores dos animais. O deputado afirma que aproveitou exatamente a prisão de Duda para lançar o projeto. ?No momento em que uma celebridade foi presa com um imenso aparato da Polícia Federal, mais de 50 homens armados justamente no Rio, com tanto narcotraficante para se combater, achei o momento oportuno. Que crime ambiental há numa briga de galo? O que é mais cruel, botar galo para brigar ou arrancar o pescoço de uma galinha para comer?, diz o deputado, que é presidente da Comissão da Bacia do São Francisco, e se diz ambientalista. ? É uma apologia ao crime, uma bestialidade, uma incivilidade, um retorno à Roma antiga, quando o homem se divertia em botar na arena animais contra animais e até contra o próprio homem ? reage o advogado Roberto Dantas, assessor da Associação Brasileira Protetora dos Animais, secção-Bahia. Dantas afirma que o projeto não tem nenhuma base científica do ponto de vista jurídico e não acredita que vá passar. ?NA BÍBLIA? ? Segundo Roberto Dantas, para discriminalizar a briga de animais é necessário mudar também a Lei das Contravenções Penais, que tipifica o assunto como prática de crueldade, e a Lei de Crimes Ambientais, que proíbe os maus tratos aos animais. ?O STF já proibiu a farra do boi, tratada juridicamente como algo ignóbil. É um divertimento pré-histórico, uma barbárie com os animais, que induz o intuito da perversidade?, observa. Fernando de Fabinho afirma que na Bahia existem mais de 600 rinhas registradas. Lembra que não é galista e nem conhece Duda Mendonça. Entende que brigas de galos e canários fazem parte dos costumes nacionais e acha que a polêmica serve para abrir o debate em torno da questão. ?Eu não lí, mas me disseram que até na Bíblia, galo de briga é batedor, foi feito para brigar, até porque, não pode ser criado como os galos comuns, porque ou matam uns aos outros ou se matam. Além disso, quem cria galos ou canários para competição não causa maus-tratos aos animais. Pelo contrário. Cria-os com todo cuidado que um atleta merece?. CONFUSÃO ? ?Isso é uma estupidez. O deputado deve estar delirando. Ele deveria ser obrigado a brigar numa rinha para ele dizer se é bom. Será que vamos ter de ressuscitar Jânio Quadros??, indaga a presidenta da Associação Protetora dos Animais, a oftalmologista Edna Rita Lima. Segundo ela, as ONGs do Brasil que defendem a natureza vão se reunir para decidir o que fazer. ?A única coisa que o deputado vai conseguir é botar os ambientalistas para brigar com ele?, assinala. Há poucos dias as brigas de galo causaram imenso rebuliço no País quando o publicitário Duda Mendonça foi preso no Rio participando de um torneio nacional. No desdobramento do episódio, ele foi demitido do comando da campanha da prefeita Marta Suplicy (PT), que tentava se reeleger e acabou perdendo para José Serra. Até o presidente Lula se envolveu na questão: ?Eu não gosto de briga de galos, mas o Duda é uma pessoa maravilhosa?, afirmou ele. Na Bahia tem sete mil galistas fichados, segundo Beto Pimentel, amigo de Duda.
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