Deputado faz denúncia no plenário da Câmara.
ACM Neto fez apelo ao presidente da CPI para não ceder
BRASÍLIA - O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL), denunciou ontem, em pronunciamento na tribuna da Câmara Federal, uma "verdadeira operação abafa", osquestrada pela base governista, com apoio o Planalto, para impedir o aprofundamento das investigações na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Correio. ACM Neto também condenou as pressões e patrulhamento o que presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), vem recebendo por parte do Partido dos Trabalhadores (PT).
"Senti-me obrigado a usar essa tribuna para expressar uma preocupação grave: a preocupação de que a base do governo nesta Casa esteja iniciando a execução de uma verdadeira operação abafa", afirmou. De acordo com o deputado, a suspeita ocorreu a partir da reunião administrativa da CPI dos Correios, na última quinta-feira, onde muitos requerimentos importantes, propostos pela oposição, foram colocados em votação e rejeitados. "Foram rejeitados por uma manobra do governo, que arregimentou sua base, que convocou sua tropa de choque e compôs uma maioria artificial na CPI", enfatizou.
Ele citou como exemplos a rejeição dos requerimentos de convocação do doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o `Toninho da Barcelona´, que cumpre pena por evasão de divisas em Avaré, e disse ter informações sobre as remessas de recursos do exterior para financiar campanhas petistas. Além disso, rejeitaram o requerimento para ouvir o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre a ação do BC durante a remessa desse dinheiro.
A CPI também vetou a convocação e a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do ex-procurador legal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e atual presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, que afirmou ter feito o pagamento do empréstimo pessoal do presidente ao PT, no valor de R$29 mil. Lula nega ter tomado o empréstimo junto ao partido com uso de verbas do fundo partidário, o que é ilegal.
O colegiado também negou o agendamento do depoimento do ex-secretário de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, suspeito de intervir no processo de seleção das agências de publicidade que servem ao governo. Ele também é apontado como responsável pela manipulação das verbas dos fundos de pensão e, recentemente, de ter beneficiado agências de publicidade em troca de apoio financeiro ao PT.
Para ACM Neto algumas questões a serem refletidas. Ninguém pode acreditar num bandido preso, sem que ele apresente provas das denúncias. Mas ninguém pode desconsiderar a gravidade das declarações dele só porque se trata de um preso.
"Temos visto que, de uma semana para cá, há um movimento para evitar a convocação de pessoas que estejam respondendo na Justiça a processo criminais, para evitar a convocação de presos, caso de Toninho da Barcelona. Aí, pergunto: quem pode falar de crime? O criminoso. Quem pode falar de bandidagem? O bandido. Não podemos achar que será convocada uma pessoa direita, uma pessoa respeitadora das exigências legais e que essa pessoa vai ter propriedade para vir a CPI para oferecer contribuições importantes", avaliou.
"Então, vamos acabar com a canalhice. Deve-se trazer, sim, para a CPI, mas deve-se exigir provas, documentos. Da mesma forma que não se pode prejulgar ninguém, mas não se pode desprezar as contribuições que essas pessoas, que são criminosas, têm a oferecer aos trabalhos de investrigação das diversas CPIs", disse.
ACM Neto fez um apelo especial ao presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral, para que não sucumba às pressões que está sofrendo de segmentos do Partido dos Trabalhadores e do governo. "Então, há sim, armada uma tentativa de patrulhar o senador Delcídio Amaral, tentativa esta de chantageá-lo de forma baixa. O presidente da CPI vem se comportando muito bem até agora, sendo um magistrado, garantindo lucidez e equilíbrio à CPI. No entanto, o PT está pressionando o senador para que reflua dessa postura correta que vem assumindo até agora", denunciou ACM Neto.
