Deputado afirma que Daniel Almeida é outro suspeito de receber "mensalão".
Revelação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares atinge parlamentares do PCdoB e PSB
Além de Alice Portugal, Daniel Almeida também pode ter recebido `mensalão´
O deputado estadual Elmar Nascimento (PL) disse ontem, na Assembléia Legislativa, que, além da deputada Alice Portugal, também seu colega de partido, o deputado federal Daniel Almeida, é suspeito de ter recebido dinheiro do "mensalão" que o esquema do empresário Marcos Valério destinou ao PCdoB. A revelação de que os comunistas foram aquinhoados com recursos destinados à compra de votos na Câmara Federal foi feita pelo ex-tesoureiro do PT nacional Delúbio Soares. "O próprio Delúbio Soares disse que o PCdoB recebeu o dinheiro do esquema de corrupção. De modo que todos os parlamentares comunistas na Câmara Federal são suspeitos, inclusive os baianos, assim como os diretórios regionais", afirmou Nascimento.
Ele ressaltou que as acusações são do ex-tesoureiro e não da bancada do governo na Assembléia. "Isso está documentado no Ministério Público, em denúncia formal feita pelo senhor Delúbio Soares. Quem tem de se explicar são os parlamentares do PCdoB. Afinal, segundo a versão do ex-tesoureiro, o dinheiro era para financiar campanhas eleitorais dos integrantes dos partidos da base aliada ao Palácio do Planalto. De modo que todos são suspeitos de receber, até que a cúpula do PT diga quem efetivamente recebeu o dinheiro", salientou Elmar Nascimento.
Ele lembrou que, segundo Delúbio Soares, o PCdoB e o PSB foram dois dos beneficiados dos R$55,8 milhões do "valerioduto". Anteontem, o parlamentar destacou, em discurso no plenário da Assembléia, que a deputada federal Alice Portugal é suspeita de ter recebido dinheiro do esquema de corrupção que assusta o país, por conta das altas somas envolvidas. Ontem, na sessão plenária, por conta do discurso de Elmar Nascimento, os representantes do PSB e do PCdoB demonstraram irritação exacerbada e, na tentativa de rebater as acusações, atiraram para todos os lados. Mas não apresentaram nenhuma prova de que são inocentes da acusação de Delúbio Soares.
Apesar da irritação, pela primeira vez o PSB e o PCdoB na Casa rebateram as acusações do ex-tesoureiro do PT nacional. Primeiro, a deputada Lídice da Mata (PSB) negou as acusações, demonstrando indignação com o fato de os parlamentares governistas tocarem no assunto. A socialista já havia tratado, em plenário, da crise política, mas para defender seus companheiros do PT baiano, colocando sobre o Congresso Nacional a responsabilidade pelo "mensalão".
Depois, os deputados Javier Alfaya e Edson Pimenta, ambos do PCdoB, também negaram envolvimento do partido com o "mensalão", mas não apresentaram prova. Foi a primeira vez que, sem defender o PT ou o governo federal, os comunistas tocaram no assunto da crise política que envolve os partidos da base aliada ao Planalto, inclusive nos diretórios regionais. Até então, eles, assim como o PT na Casa, fingiam que nada estava acontecendo e que a crise só deveria ser debatida no Congresso Nacional. O deputado Edson Pimenta chegou a colocar o seu mandato à disposição, caso fosse comprovado que Alice Portugal recebeu dinheiro do esquema de corrupção.
Mas foi o deputado Javier Alfaya quem surpreendeu a bancada do governo. Também pela primeira vez, de forma estratégica, ele defendeu a cassação do mandato do ex-presidente do PT baiano, o deputado federal Josias Gomes, até então tratado como companheiro. Entretanto, foi preciso, antes, uma provocação do deputado Marcelo Nilo (PSDB). "O senhor defende a punição dos 18 parlamentares que sacaram o dinheiro (das contas de Marcos Valério) com a expulsão?", questionou o tucano. "Sim, com a expulsão", respondeu.
"O PCdoB tem sido mais leal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que paulatinamente está despencando nas pesquisas, Mais leal do que o próprio PT. Foi o primeiro a dizer, inclusive aqui nesta Casa, que a crise foi inventada pelas elites. Não exigiram apuração desde o início das denúncias. E agora estão chateados porque repercutimos aqui na Assembléia uma informação dada por Delúbio Soares ao Ministério Público. Não cabe a nós o ônus de provar nada, mas sim ao senhor Delúbio Soares. E cabe ao PCdoB, assim com ao PSB, provar que não receberam. Se insistiram na estratégia de achar que não devem explicar nada, que a Assembléia não é o local apropriado para tratar da crise, eles que respondam por isso também", ressaltou o líder do governo, deputado Paulo Azi (PFL).
