Delegados ameaçam entrar em greve e abrem negociação
Um grupo de mais de 50 delegados se reuniu nesta segunda-feira, 13, na entrada da Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia, solicitando um canal de negociação para tratar de assuntos como reajuste salarial proporcional a outros Estados brasileiros, plano de cargos e salários, e fim da superlotação carcerária nas delegacias. Estes pontos foram definidos na assembléia geral realizada pela manhã que também definiu a data de 17 de novembro como prazo limite para o indicativo de paralisação de cinco dias. Caso o resultado do contato com o governo não agrade à categoria, o movimento pode se transformar numa greve.
De acordo com informações recebidas pela comissão que tentou o contato com o governo do Estado, um grupo de delegados do quadro da Polícia Civil será recebido, nos próximos dias, em data a ser marcada, na Secretaria de Administração da Bahia (Saeb). A idéia é que eles sentem com representantes do órgão para tratar das reivindicações.
PROBLEMAS - O vice-presidente da Associação de Delegados de Polícia da Bahia (ADPEB), Pietro Baddini, explicou que a questão vai muito além dos baixos salários, embora em Sergipe os delegados recebam cerca de R$ 11 mil, contra os R$ 4 mil pagos na Bahia, que possui o maior PIB do Nordeste. O delegado explica que esta situação é ainda pior porque a Polícia Civil não sofre mudança em sua estrutura de cargos e salários, desde 1973 e, apesar de o governo ter anunciado a formação de uma mesa da segurança pública, nenhuma reunião ocorreu até agora.
"Queremos um projeto de Plano de Cargos e Salários até o final deste governo", frisou Pietro Baddini. Ele lembrou os graves problemas estruturais da Polícia que vão desde a falta de equipamentos básicos, como munição e coletes balísticos, até o fato de o Estado possuir 540 unidades policiais e contar com apenas 600 viaturas, nem todas em boas condições de funcionamento.
"Mas nosso problema mais grave vem sendo a superlotação carcerária. Nos últimos anos os detidos vão ficando nas delegacias, são processados, julgados e cumprem pena nas celas da Polícia Civil", disse. "Após a lavratura do flagrante, o preso deveria ser encaminhado para os presídios da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Estamos deixando de fazer nosso trabalho de investigação para custodiar e conduzir presos para interrogatório e julgamento", afirmou.
O delegado citou ainda as fugas cada vez mais constantes, motivadas pela falta de estrutura da Polícia Civil para manter estes presos nas suas celas. A essa falta de segurança para policiais e para a população se junta a política do governo de reforçar o policiamento na capital.
Existem regiões como a coordenada pela Delegacia Regional de Irecê, a 478 km da cidade de Salvador, na qual em pelo menos 12 cidades não existe efetivo policial, informou o delegado.
