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Delegado comandava quadrilha que furtava carros.
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Delegado comandava quadrilha que furtava carros.

O policial fazia parte de uma gangue integrada por militares e pelo chefe do Retran do município de Ourolândia. O delegado titular do município de Ourolândia, Carlos Oliveira Santos Júnior, está preso na Corregedoria da Polícia Civil, em Salvador, acusado de envolvimento com uma quadrilha que vinha roubando carros em Salvador desde julho do ano passado. Além do delegado, faziam parte do bando dois sargentos da Polícia Militar, o chefe do Retran (Regional de Trânsito), além de quatro soldados e um ex- policial militar. As investigações vinham sendo realizadas desde o início do mês, quando a delegada Francineide Moura, titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos, recebeu um documento que denunciava a existência de dezenas de veículos roubados que vinham circulando em mãos de policiais militares e candidatos às eleições nos municípios de Jacobina, Capim Grosso, Ourolândia e Umburanas. Até ontem, já tinham sido apreendidos 33 carros e uma motocicleta Honda. O nome do delegado Carlos Oliveira surgiu em meio ao emaranhado de denúncias, após a prisão do ex-soldado PM Osvaldo Lima e Antônio Ferreira, o Ratinho. O primeiro tinha furtado um Fiat Uno nas imediações da Fonte Nova, no último dia 4. Este veículo seria vendido para Ratinho. Quando interrogado, o ex-policial militar denunciou o delegado Carlos Oliveira, além do sargento Alísio Alves Cardoso, responsável pelo destacamento da corporação em Ourolândia, o chefe do Retran, Djanilson Miranda Cruz, que está foragido e mais quatro soldados. Com o surgimento do nome do delegado de Ourolândia, Francineide Moura manteve contato com a corregedora-chefe da Polícia Civil, Josélia Reis Santana, que designou o coordenador adjunto Cândido Augusto Vacarezza para ir prender o colega. A surpresa maior foi o fato de o delegado estar utilizando, como se fosse de sua propriedade, um Celta preto roubado. Em Ourolândia, a 363km de Salvador, Vacarezza tomou o depoimento de uma pessoa (não teve o nome divulgado por questão de segurança} que denunciou o delegado titular de Ourolândia, afirmando ter pago a ele a quantia de R$ 3 mil para se apossar de um carro roubado em Salvador. Mais R$ 3 mil seriam pagos a ele logo que a documentação ficasse pronta. IRREGULARIDADES ? Vacarezza informou que o delegado Carlos Oliveira vinha comandando os destinos daquela unidade policial, cometendo uma série de irregularidades. ?Por exemplo, não tinha uma só ocorrência registrada mencionando apreensão de qualquer veículo roubado. Como não existe o registro, ele jamais poderia lavrar um auto de depósito?, explicou a corregedora Josélia Reis Santana. O coordenador adjunto da Corregedoria da Polícia Civil, Cândido Vacarezza, informou que as investigações tiveram a participação da população. ?Para nós da Polícia Civil é constrangedor ter um colega envolvido numa situação dessa. Temos que agir com total transparência. Não vamos permitir que nenhum servidor público cometa um ato dessa gravidade e não venha a ser punido. Carlos foi autuado por formação de quadrilha e receptação (ele estava de posse de um carro roubado). Inicialmente, ele foi afastado do cargo de titular. Vai responder a procedimento administrativo. Neste caso, acredito que ele seja exonerado da função pública?, avaliou Josélia. No cargo de titular da delegacia de Ourolândia, desde dezembro de 2001, Carlos Oliveira Santos Júnior alegou inocência. ?Ele nega que cobrasse algum valor pelos veículos, mas temos testemunhas que comprovam o seu envolvimento. Além disso, ele estava dirigindo um carro roubado e nós encontramos irregularidades no livro de registros de ocorrências?, disse Vacarezza. O delegado continua preso na sede da Corregedoria da Polícia Civil, em Salvador, e será indiciado por peculato, podendo ser condenado a até 12 anos de prisão. O responsável pelo Retran do município de Ourolândia, Djanilson Miranda Cruz, que está foragido, é apontado como um dos receptadores dos veículos roubados. Segundo testemunhas, Djanilson encomendava os carros para o ex-policial militar Osvaldo Lima e maquiava-os com placas retiradas no Retran. O delegado também participava recebendo os veículos e emitindo autos de depósito para que os carros pudessem circular sem documentação. A maior parte dos veículos era vendida em Ourolândia por preços bem abaixo dos praticados no mercado e uma parte vinha sendo utilizada na campanha política de candidatos a vereador e até a prefeito do município. CAPIM GROSSO ? Na seqüência das investigações, os policiais civis e militares receberam a denúncia de que o sargento Evangivaldo Rodrigues da Silva, lotado em Capim Grosso, tinha receptado sete veículos. Os carros foram encontrados em oficinas de ferro-velho. O sargento encontra-se foragido. Os policiais aguardam que ele se apresente nas próximas horas para ser interrogado, sobre a procedência dos carros. Ontem, a delegada Francineide Moura mostrou nove veículos e uma motocicleta. São dois carros Celta, um preto e outro vermelho, três caminhonetes, uma Ford Courier, uma Fiat Strada e outra Saveiro, um Palio, dois carros Fiat Uno, um Gol e uma moto Honda. Dos 34 carros, estes eram os melhores em condições de tráfego. Segundo a delegada Francineide, a maioria deles, com adulteração de chassis. Com o apoio da Secretaria da Segurança Pública, Francineide informou que as investigações deverão se prolongar, mas serão feitas de maneira sigilosa, objetivando novos flagrantes.
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