Contratação de Dunga dá força a gaúchos na seleção
Na renovação idealizada por Ricardo Teixeira para a seleção brasileira, os gaúchos ganham força. O técnico Dunga terá como braço-direito Branco, também do Rio Grande do Sul.
A CARREIRA DE DUNGA
Tri do Gaúcho pelo Inter: Dunga começou a carreira no Inter, aos 15 anos, como meia-direita. Virou voltante ao subir para o time principal. No ano de estréia, 83, foi campeão gaúcho. Em 84, conquistou mais um titulo, o terceiro seguido do time. Voltou ao clube em 99, perdeu o campeonato e encerrou a carreira
Nas graças da Fiel: Já vendido à Fiorentina (Itália), foi emprestado ao Corinthians. Em 85, conquistou o Torneio de Los Angeles. No Paulista, ficou 16 semanas invicto, mas perdeu a final para o Santos, para onde foi em seguida
Sucesso internacional: Antes de ir para a Fiorentina, ajudou o Pisa a escapar do rebaixamento no Italiano. Quando, enfim, foi atuar no time que detinha seu passe, chegou ao vice Copa da UEFA, em 89/90. Depois, foi capitão do Sttutgart, da Alemanha
Fracasso da "Era Dunga": Com o grupo da "Era Dunga", como foi nomeada a geração de 90, caiu nas quartas-de-final na Copa da Itália. Dunga se tornou o principal símbolo da fracassada seleção de Sebastião Lazzaroni
Sucesso do capitão: Dunga superou o trauma de 90 e comandou o Brasil na conquista do tetra, em 94, nos EUA. Capitão, deixou como principal marca o jeito aguerrido de jogar e cobrar os companheiros. E virou símbolo do futebol pragmático de Parreira
No Japão: Já no fim da carreira, Dunga foi para o Jubilo Iwata, em 95. Em 97, levou o clube ao primeiro título japonês e foi eleito o melhor da temporada
Queda em 98: Novamente capitão, é o único atleta com liberdade para criticar a comissão técnica de Zagallo sem medo de represálias. Cai na final diante da França e se despede do time -foram 116 jogos
Em seu site oficial, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) informou que a partir de agora haverá mais sintonia entre as categorias de base e o time principal da seleção. Branco é o responsável pelas seleções amadoras do Brasil.
O ex-lateral é um antigo amigo de Dunga. Também foi um dos poucos a quem Ricardo Teixeira deu ouvidos na hora de escolher o substituto de Carlos Alberto Parreira, apesar de vários de seus aliados fazerem coro pelo inexperiente Dunga.
Não está descartada a possibilidade de Branco assumir um cargo mais graduado, como o de coordenador-técnico.
Se isso ocorrer, o supervisor Américo Faria perde força. No Mundial da Alemanha ele foi olhos e ouvidos de Teixeira na concentração e tinha carta branca para tomar decisões.
Como quase todos que participaram da desastrosa campanha na Copa, Faria perdeu prestígio com o presidente da Confederação Brasileira.
A equipe de gaúchos deve aumentar. O mais provável é que Dunga monte a sua comissão técnica com conterrâneos.
O gaúcho Paulo Paixão, auxiliar do preparador físico Moraci Sant'Anna na seleção, pode ser mantido na comissão, porém agora como principal responsável pela área.
Paixão foi o preparador físico na gestão de Luiz Felipe Scolari no time nacional, em 2002. Dunga também é amigo do gaúcho que comanda Portugal.
Apesar de Teixeira demonstrar que não estava disposto a ouvir palpites sobre a sucessão de Parreira, houve lobby de cartolas do Rio Grande do Sul pelo ex-capitão.
O principal entusiasta de Dunga era Emídio Perondi, vice da CBF para o Estado. Não falou com Teixeira, mas tentou convencer aliados do cartola.
