Celular explode ao receber ligação.
Funcionário público paulista se fere ao atender chamada no seu telefone. Falha na bateria pode ter provocado superaquecimento
Antes que o funcionário público Roberto Izzo, 28 anos, pudesse dizer ?alô?, o celular, que tinha acabado de tocar, explodiu. Ele ficou ferido na mão esquerda, costas, pescoço, cabeça e olho esquerdo. Estilhaços danificaram o teto de sua casa, no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo, e queimaram o sofá, onde estava sua filha, Gabriela, 3 anos. O acidente aconteceu na noite do dia 2 e foi registrado no 10º Distrito Policial (Penha). Ele foi levado ao Hospital da Vila Matilde.
?Eu abri o celular e ele explodiu. Me joguei em cima da minha filha para protegê-la e não vi mais nada. Meu cabelo chegou a pegar fogo. Parecia uma bomba?, lembra Roberto. Segunda-feira e ontem, ele precisou ir ao oftalmologista para fazer exames no olho, que ficou queimado. ?Estou enxergando embaçado, mas os médicos disseram que não há risco de seqüelas?, contou.
Curto-circuito pode ter causado explosão
O que restou do celular, do modelo Startac, da Motorola ? além do pó que saiu da bateria ? , foi levado para o Instituto de Criminalística de São Paulo. Laudo, só em 15 dias. Roberto informou que a bateria é a original, comprada com o aparelho.
Para o engenheiro eletricista e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio (Crea), Reynaldo Barros, ela pode ter explodido devido a falha que a levou ao superaquecimento. ?É necessário verificar se a bateria possui selo do fabricante e seguir as recomendações dele de conservação?, aconselha.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que havia só dois casos registrados de explosão em celulares de um universo de 73.740.384 aparelhos no País. A Motorola ainda não se pronunciou sobre o caso, mas advogados da empresa já procuraram Roberto. Eles devem se encontrar hoje.
Outras duas vítimas esse ano
Outras explosões também feriram usuários de telefone celular. Dia 5, em Belém do Pará, o aparelho do comerciante autônomo Jesus Favacho Andrade, 46 anos, explodiu dentro do bolso da bermuda que ele usava. Ele teve queimaduras na coxa e na perna. No início do ano, outro caso, desta vez em Neves Paulista, Interior de São Paulo, deixou com queimaduras Maria Isaura Lima Nascimento, 45.
Depoimento
?Quando o celular explodiu, ele me queimou em várias partes do corpo. Me joguei em cima da minha filha (Gabriela). Meu cabelo chegou a pegar fogo e, depois, ficou com cheiro de queimado. Me dá ânsia de vômito só em pensar que minha filha poderia ter atendido a ligação. Ela poderia até ter morrido, já que tem só 3 anos e 9 meses. A explosão foi tão forte, que todo o quarteirão ouviu. Se eu estivesse com o aparelho no ouvido, o mínimo que aconteceria seria estourar meu tímpano. Fiquei com medo de ficar cego, com a queimadura no olho. A casa ficou toda esfumaçada.?
