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Brasileiro consome imposto. Há produtos com até 80%.
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Brasileiro consome imposto. Há produtos com até 80%.

O produto mais tributado é a cachaça, com 83,07% sobre o preço final. A aguardente que é adquirida pelo consumidor a um custo médio de R$ 4 no varejo, poderia custar R$ 0,68 se não sofresse tributação. O consumidor baiano não tem idéia do tamanho da carga de impostos que incide sobre os produtos que adquire. Os tributos chegam, em alguns casos, a até 83,07% sobre o preço final, segundo relatório elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que mostra esses percentuais em mais de 80 mercadorias pesquisadas no varejo. A Constituição Federal prevê que o consumidor tem o direito de saber quanto paga de impostos sobre cada bem que adquire, porém, isso não é respeitado. O diretor tesoureiro do Conselho Federal da OAB e tributarista Vladimir Rossi Lourenço frisa que o parágrafo 5º do Art. 150 da Constituição Federal não é cumprido. Segundo ele, ?a lei determina medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidem sobre mercadorias e serviços. Só que esta lei até hoje não foi regulamentada. Acredito que não haja interesse do Governo nesta regulamentação, porque com isso vai demonstrar todas as mazelas e todos os problemas, ao enumerar o montante de impostos que o contribuinte paga?. Rossi frisa que o consumidor ao comprar uma camisa, por exemplo, não tem idéia do tamanho da carga tributária incidente sobre o produto. ?Se verificarmos que o preço de custo, a margem de lucro, o custeio desde o fabricante até o comerciante, é inferior à carga tributária que incidiu sobre o produto, vamos levar um susto?, frisa o tributarista. O governo é o sócio do empresário e além disso está em posição cômoda, pois não precisa se preocupar com o risco do negócio - como o pagamento dos empregados, disputa de mercado e o pagamento de impostos - o governo apenas pega a sua parte. De acordo com o relatório do IBPT, o produto mais tributado é a cachaça, com 83,07% sobre o preço final. A aguardente que é adquirida pelo consumidor a um custo médio de R$ 4 no varejo, poderia custar R$ 0,68 se não sofresse tributação, que equivale a R$ 3,32 de impostos. O preço do litro da gasolina, em Salvador, poderia custar R$ 1,19, em média, se não fosse a carga de impostos que soma R$ 1,35 e por conta disso, o preço final fica em R$ 2,54. Ao pagar a conta de energia elétrica de R$ 100, os impostos chegam a R$ 45,81. Na conta de telefone de R$ 100, os impostos somam R$ 46,65. Um automóvel 1.0, com valor de R$ 24 mil, poderia ser adquirido por R$ 14.570. Milhares de trabalhadores teriam condições de adquirir a casa própria se fosse descontado o percentual de impostos, que chega a 49,02%. Se o imóvel popular custa R$ 25 mil, poderia ser comprado por R$12.745. Falando em termos de alimentação, o macarrão, por exemplo, poderia custar 0,68 se não fosse o R$1 de imposto que a população paga ao governo. A mesma coisa acontece com o feijão que custa atualmente R$2,09, quando poderia ser adquirido por R$1. O biscoito custa R$1,67 quando poderia ser adquirido por R$0,68 e os ovos que custa R$2,25 poderia ser adquirido por R$1,10 afirmou o tributarista. Quem gosta de beber cerveja em lata, poderia pagar R$ 0,48 em vez de desembolsar R$ 1,10, porque a carga de impostos chega a 56%. Um forno de microondas estaria ao alcance de uma grande parcela da população, se o preço de venda fosse R$ 150,53, porém, com 56,99% de impostos, o preço final fica em R$ 350. Lavar os cabelos com xampu também custa caro. Ao invés de pagar R$ 2,38 pelo produto, o consumidor desembolsa R$5. Um aparelho de DVD poderia estar à venda por R$ 193,64, se não fosse a carga de 51,59% de impostos, que acaba aumentando o preço para R$ 400.
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