Brasil estréia contra a "adversária" Venezuela.
Críticas, insegurança, boatos sobre a queda de Luiz Felipe Scolari. Se havia alguma razão para o Brasil relaxar na última e decisiva rodada das eliminatórias para a Copa de 2002, essa razão atendida pelo nome de Venezuela.
Três anos depois da vitória por 3 a 0, que selou a vaga no Mundial da Ásia, o Brasil cumpre campanha ímpar na sua história nas eliminatórias. A Venezuela, também.
Ex-candidata a eterno saco de pancadas dos vizinhos sul-americanos, a Venezuela deu seus primeiros sinais de vida com a bola nos pés ainda no final do último qualificatório, quando obteve, contra a Bolívia, sua primeira vitória na história da competição. A equipe, antes de perder para o Brasil na última rodada, venceria mais três jogos.
Na corrida para 2006, os venezuelanos estão em sexto lugar, com 10 pontos - o Brasil é líder, com 16 -, e só não iriam para a repescagem se as eliminatórias terminassem hoje por ter saldo inferior ao do Equador (zero contra -2).
Neste sábado, em Maracaibo, a partir das 22h (horário de Brasília), a seleção conhece pela primeira vez essa Venezuela que crê, sim, na vitória. "Nada que assuste o time do Brasil", avisou o técnico Carlos Alberto Parreira ainda na Granja Comary, em Teresópolis.
"Não reconhecer que a Venezuela evoluiu é um disparate muito grande, mas em nenhum momento o futebol venezuelano vai ameaçar a supremacia do Brasil", afirmou Parreira. "Se jogarmos com seriedade, temos condições de ganhar com facilidade, até pela qualidade do nosso time", completou o treinador.
De fato, por mais que os venezuelanos, promovidos à condição de "adversários", sigam a pregar peças - venceram Colômbia em Barranquilla, a "freguesa" Bolívia em casa e o Uruguai, por 3 a 0, em plena Montevidéu -, é difícil endossar o otimismo do técnico Richard Paez. "Como (time local) vamos buscar a vitória. Nunca nos defendemos e o jogo contra o Brasil não será uma exceção", avisou.
Para isso, Paez confia nos atacantes Rubert Morán e Máximo Margiotta. No banco, estará o veterano atacante Juan Garcia, autor do único gol venezuelano contra o Brasil na história das eliminatórias. São 10 vitórias brasileiras em 10 partidas, com 45 gols a favor e apenas um contra (justamente o de García, em 93).
"Não é mais um time bobo", avisou o meia Renato. "Se a gente colocar em prática dentro de campo o que estamos acostumados a fazer, acho que não tem seleção para ganhar da gente. Mas esse é o problema, a gente tem que entrar motivado", preveniu Ronaldo. É esperar para ver.
VENEZUELA
Angelucci; Vallenilla, Rey, Cichero e Rojas; Jimenez, Vera, Arango e Páez, Moran e Margiotta
Técnico: Richard Paez
BRASIL
Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Renato, Juninho Pernambucano e Zé Roberto; Kaká; Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo
Técnico: Carlos Alberto Parreira
Horário: 22h (horário de Brasília)
Local: estádio "Pachenco" Romero, em Maracaibo (VEN)
Árbitro: Carlos Chandia (CHI)
