Botuporã x Tanque Novo: CONTINUA A DISPUTA TERRITORIAL.
Em plena seca, o prefeito de Tanque Novo, José Messias Carneiro (PFL), mandou fechar a cadeado um poço artesiano do povoado de Serra, em Botuporã, única alternativa de abastecimento para as 150 famílias que moram no lugar e as cerca de 700 de Lagoinhas, Queimadas e Jurema, outras povoações da área. Motivo: a briga dos dois municípios pela área em que o poço está.
O poço foi reaberto por decisão da juíza de Paramirim, Carmem Stela Sampaio, que requisitou até uma força policial com dez soldados para fazer valer a decisão. Messias mandou construir outro poço, segundo o prefeito de Botuporã, Hedílio Marques (PTB), ?para atender os eleitores dele?, mas a briga pelo território continua.
Tanque Novo foi desmembrado de Botuporã em 1989 e o povoado de Serra ficou em território disputado pelos dois lados. Segundo Hedílio Marques, a lei 7.812 sancionada em 11 de maio de 2001, resolveu a questão, deixando Serra para Botuporã. Messias não aceitou. ?Já entrei na Justiça e ganhei várias vezes. Serra é de Tanque Novo?, fala ele.
QUEM É O CULPADO? ? Messias pode até ter agido equivocadamente ao mandar fechar o poço sem pensar nos prejuízos que causaria à população, e Hedílio, pelo que argumenta, aparentemente está certo, mas não é bem assim. As duas partes firmaram um acordo antes da aprovação da lei, pelo qual Tanque Novo cedia um pedaço do território e ficaria com outro que incluia o povoado de Serra.
As duas partes assinaram e depois Hedílio recuou, para fazer prevalecer o que ele queria. Apareceu na Assembléia com um desenho manuscrito do que seria o território de Botuporã com base na carta topográfica. Foi assim que o projeto foi aprovado e virou lei. O que, diga-se, ao invés de resolver o problema, ampliou porque gerou o conflito ostensivo entre os dois prefeitos e solução só tem uma, fazer tudo de novo.
Em suma, a culpa mais uma vez é da Assembléia Legislativa, que novamente repetiu o velho hábito de aprovar leis que dizem respeito a territórios sem fazer as verificações e anotações dos marcos divisórios in loco. ?Eu avisei aos deputados: não ponham o projeto em votação porque não iria dar certo fazer a divisão territorial com base na carta topográfica. Era necessário o trabalho de campo. Isso não foi feito, deu no que deu. A lei está errada?, afirma a geógrafa Telma Pitágoras, técnica da Comissão de Divisão Territorial da AL.
