Bebida alcoólica mata 2 milhões ao ano.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), que já faz campanhas contra a obesidade e o fumo, lançou ontem uma investigação sobre o uso do álcool, que, segundo estimativas, mata 1,8 milhão de pessoas por ano. A resolução, por iniciativa de países nórdicos, foi adotada por ministros dos 192 países da OMS ao final da sua assembléia anual de dez dias.
O texto expressa preocupação com ?as tendências de consumo nocivo?, especialmente entre os jovens, e cita riscos crescentes nos países em desenvolvimento. A agência da ONU vai conduzir mais estudos científicos e apresentar dentro de dois anos formas de reduzir os danos provocados pelas bebidas.
? O álcool é agora um problema global ? disse Catherine le Gales-Camus, diretora-geral-assistente da OMS para doenças não-contagiosas e saúde mental, em entrevista à Reuters. ?Os países-membros estão cada vez mais preocupados com o uso do álcool na parcela mais jovem da população. Novos padrões de consumo são questões importantes,? acrescentou.
O diretor-geral da OMS, Lee Jong-Wook, deve nomear especialistas para preparar o estudo e as recomendações, após negociações com os países-membros, com profissionais de saúde e com as indústrias de bebidas. Em 2003, entrou em vigor um pacto patrocinado pela OMS para reduzir o consumo do tabaco no mundo.
O álcool pode provocar danos a quase todos os órgãos e sistemas do corpo, contribuindo com mais de 60 doenças e distúrbios, inclusive dependência, cirrose hepática e doenças cardiovasculares, segundo um relatório da OMS apresentado à conferência. Nos cerca de 1,8 milhão que morrem anualmente por causa do álcool, estão incluídos suicídios e acidentes rodoviários. Isso representa 4% das mortes e doenças totais no mundo. É praticamente o mesmo índice relativo ao cigarro (4,1%) e à hipertensão (4,4%).
?Os problemas de saúde pública associados ao consumo de álcool atingiram proporções alarmantes, e o álcool se tornou um dos riscos mais importantes à saúde globalmente?, disse o relatório.
Especialistas dizem que as medidas mais eficazes contra o problema incluem o estabelecimento de limites de idade para o consumo, o monopólio governamental sobre o varejo, horários limitados para as vendas, impostos altos e exames com bafômetros.
