Assaltantes matam 3 PMs no assalto ao Bradesco.
Além dos policiais mortos, mais quatro pessoas saíram feridas durante uma tentativa frustrada de assalto ao Bradesco.
Os soldados Renato dos Santos Lopes, 36 anos, Wellington Barbosa dos Santos e Laércio José dos Santos, lotados no 18ªBatalhão da Polícia Militar, foram mortos a tiros ontem, por volta das 10 horas, durante tentativa de assalto à agência do Bradesco, na Rua João das Botas, no Canela, quando era intenso o movimento de veículos e pedestres. Outras quatro pessoas, entre elas um taxista, ficaram feridas.
O assalto não foi consumado porque os soldados Laércio, José e Wellington Barbosa desconfiaram da caminhonete que seguia em marcha lenta pela Rua João das Botas, com dois homens sentados na carroceria. Eles saltaram do veículo e se encaminharam em direção aos militares, que se encontravam diante do Edifício Tupinambá, em frente à agência do Bradesco. Os policiais, ao perceberem a presença dos bandidos, reagiram, ocorrendo um intenso tiroteio.
Nesse momento, outros assaltantes atravessaram a rua em direção ao Bradesco. Os policiais foram sufocados pelo poder de fogo dos criminosos. Percebendo que os homens iriam invadir o prédio, o vigilante do banco, André Luís Nascimento, começou a disparar seu revólver de dentro para fora da agência. O assaltante, portando fuzil AR-15, calibre 656, abriu fogo para todos os lados. As pessoas assustadas não sabiam para onde correr. O tráfego ficou interrompido.
O intenso tiroteio que se seguiu transformou a Rua João das Botas numa praça de guerra, provocando medo nos moradores e pessoas que trabalham em clínicas e restaurantes próximos ao estabelecimento bancário. Além dos feridos, quatro mulheres passaram mal e foram atendidas na Clínica COT, Canela, que fica próxima ao banco.
ATRAÍDO ? O soldado Renato dos Santos Lopes, que estava nas imediações da Reitoria, ouvindo os tiros, encaminhou-se em direção ao Bradesco. No meio do caminho, ele se deparou com dois assaltantes, que corriam no sentido oposto, para embarcar no Palio que ficou mais atrás. Renato não chegou a disparar sua arma. Enquanto ele lutava com um dos bandidos, o outro deflagrou um tiro na sua cabeça. Testemunhas garantem que os assaltantes tomaram a pistola e embarcaram no Palio.
Os três militares foram removidos para a Clínica COT, onde também deram entrada o taxista Zenivaldo Amâncio da Silva, atingido com um tiro na face; Claudemiro Lima da Cruz, ferido no braço; Walter Otem Chaves recebeu um tiro de raspão na cabeça; e o petroquímico Gilton Ferreira Carvalho saiu ferido pelos estilhaços dos vidros do banco.
Além deles, foram medicadas Rosângela da Cruz, Ana Maria Mendes, Tânia Moraes e Aidê Costa Santos, todas em estado de choque. O tiroteio na Rua João das Botas mobilizou um grande número de agentes da Polícia Civil e soldados da PM, que saíram pelas avenidas e rodovias na caçada aos bandidos, que abandonaram os veículos na Rua D. Manoel, uma transversal da Pacífico Pereira, no bairro do Garcia.
O diretor da Clínica COT, Orlando Colavolpe, informou que tudo que deveria ser feito para salvar os militares e prestar assistência aos civis foi feito imediatamente. O taxista que recebeu o tiro no rosto passou por uma cirurgia, mas não corre risco de morte. Conforme relato da direção do COT, o soldado Renato já chegou sem vida, os demais ainda foram assistidos e levados para a Unidade de Tratamento Intensivo, mas não resistiram aos ferimentos.
DELEGADO ? Por volta das 17 horas de ontem, o delegado-chefe Jacinto Alberto informava que, possivelmente, até o final da noite, haveria novidades quanto à prisão de suspeitos. Ele prometeu uma resposta rápida para o caso.
Durante a tarde e a noite de ontem, o clima era de grande expectativa na Polícia Militar. Uma reunião entre o comando e a Coordenadoria de Missões Especiais definiu as linhas de ação não apenas para a captura dos assaltantes de ontem, mas também dos que mataram um soldado, quarta-feira passada, na Praça Castro Alves.
Segundo o coronel Siegfrid Frazão, ouvidor e assessor da PM, não houve qualquer falha técnica por parte dos policiais no enfrentamento aos assaltantes. ?Houve, sim, ousadia inusitada e disparidade numérica, mas a PM usará mão forte e braço elástico além de sua capacidade potencial, no sentido de alcançar os culpados?, enfatizou o oficial.
Siegfrid revelou que também foi decidido na reunião do comando o redirecionamento de parte do Esquadrão Águia ? de policiamento no trânsito ? para abordagens a motoqueiros, diante da constante utilização de motos na execução de crimes.
Criminosos não esperavam reação
Os policiais não descartam a hipótese de que os bandidos sejam integrantes da quadrilha dos assaltantes Robson Souza Costa, Moacir Santos Brito, Antônio Basílio dos Santos e Zélio Antônio dos Santos, que estão presos na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos. Eles confessaram o plano de assaltar o Bradesco da Estrada do Coco, no Litoral Norte, neste final de semana.
É possível que o restante do bando, que ainda não foi preso, tenha desistido de atacar o Bradesco em Lauro de Freitas e resolveu roubar a agência da Rua João das Botas, no bairro do Canela. O assalto foi planejado detalhadamente, mas os criminosos não esperavam a reação dos policiais. A caminhonete Ford Ranger, usada para transportar a quadrilha, tinha sido tomada de assalto, na segunda-feira, em Itinga. A mesma coisa tinha acontecido com o Palio.
Como forma de despistar os policiais, previamente eles articularam abandonar os veículos na Rua D. Manoel, na Fazenda Garcia, cuja ligação com a pista da Avenida Centenário, próximo do 5ª Centro de Saúde, é feita por uma viela. Os moradores da Rua D. Manoel disseram que, desde a quinta-feira, viram esses homens no local. Ontem, pouco antes das 11 horas, a caminhonete e o Palio desceram e entraram nessa rua em alta velocidade e, por pouco, não atropelavam as pessoas.
A caminhonete, com sangue na carroceria e marcas de tiros no vidro lateral direito e na traseira, parou em frente à Rua D. Manoel. A poucos metros, foi estacionado o Palio. Moradores disseram que os ocupantes desceram dos veículos, saíram em direção à Avenida Centenário, onde embarcaram em um táxi, duas motos e um Vectra, cor verde. Conforme ainda relato das testemunhas, um dos homens era gordinho e outro usava uma muleta. Um dos homens que saltou da caminhonete sangrava na perna.
O sangue ficou empoçado na carroceria. Os peritos que foram chamados ao local encontraram cápsulas deflagradas de uma metralhadora e o fuzil AR-15. Após a perícia, os veículos foram encaminhados ao pátio da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos. Os donos deverão ser ouvidos pela delegada Francineide Moura. Um policial informou que o Ford Ranger foi tomado de assalto por quatro homens.
Veículos da polícia sem combustível
Dois ataques sangrentos de quadrilhas organizadas vitimando quatro policiais militares, em tentativas de assalto na Praça Castro Alves, quinta-feira, e no Canela, ontem pela manhã, contam com um fator vantajoso para a criminalidade: a falta de combustível para a Polícia Civil realizar diligências e investigações na identificação e captura dos assaltantes. A denúncia é do presidente do Sindicato e da Associação dos Delegados de Polícia da Bahia, Ailton Lordelo, que tem reiteradamente tentado alertar as autoridades responsáveis pela segurança pública, para essa grave situação.
