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Alunos abandonam salas de aula.
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Alunos abandonam salas de aula.

Evasão escolar na rede estadual de ensino desestimula professores e retarda a formação de cidadãos. De cada dez alunos matriculados no ensino fundamental (da 1ª à 8ª série) na rede estadual de ensino, no turno da noite, quatro (40,7%) abandonam as salas de aula antes de completar o ano letivo. No ensino médio (antigo 2º grau), a equivalência é de três abandonos (28,3%) para cada dez alunos matriculados. A taxa média de abandono no ensino médio, envolvendo os turnos da manhã, tarde e noite, é a maior dos últimos quatro anos (de 2000 a 2003). Os dados, divulgados pela Secretaria Estadual da Educação, referem-se ao Censo Escolar de 2003 e revelam uma outra preocupação: como diminuir a repetência nas séries regulares, tanto das escolas estaduais como municipais, que no ano passado fez com que o índice atingisse 16,6% dos alunos matriculados no ensino médio e 9,5% das matrículas no ensino fundamental. ?Qualquer indicador negativo é um desafio que precisa ser superado?, disse a secretária estadual da Educação, Anaci Paim, comentando os números do censo. O abandono na rede de ensino público não se dá por falta de vagas ou escolas, uma vez que, nos últimos anos, a oferta de vagas tem sido sempre superior à demanda por novos alunos. O desinteresse do aluno pela escola na rede pública pode ser medido pelo número de matrículas registrado até ontem. Das 1,8 milhão de vagas ofertadas pela rede estadual, por exemplo, cuja matrícula foi encerrada no último dia 22, mas prorrogada até 5 de abril, restam ainda 370 mil vagas. Apenas 1.429.954 alunos tinham se matriculado até ontem, na capital e no interior do Estado. DESESTÍMULO ? Os professores se queixam que não encontram os alunos nas salas de aula. Os alunos, por sua vez, reclamam que não têm o que fazer nas escolas por falta de professores. O único consenso é que as salas de aula estão vazias. E no esvaziamento das escolas públicas, quem já está matriculado não se sente estimulado a freqüentá-las. No Central, um dos mais tradicionais colégios da rede pública de Salvador, a queixa dos alunos é justamente a ausência dos professores em sala de aula. ?É frustrante chegar aqui e não ter aulas?, dizem os estudantes Hilda da Silva Lima (17 anos), Daniela Barbosa (17) e Marcelo Carlos da Cruz (15), alunos da turma M-22, do 1º ano do ensino médio. As alunas Sara Anajara de Souza, Eliene Oliveira e Lílian Paixão eram, na manhã da última quinta-feira, as únicas estudantes presentes na turma M-9, que tem 35 alunos matriculados. ?Não tivemos aulas e agora só na próxima semana?, disseram. No mesmo colégio, a professora de Biologia Simone Menezes Sanches Souza se queixa da falta de alunos nas salas. Se na turma M-21, uma das sete em que dá aulas, ela tem uma freqüência de 30 dos 35 alunos matriculados, numa outra turma, a M-15, ela só conseguiu, até agora, reunir quatro dos 35 alunos. ?Onde eles (os alunos) estão??, pergunta. Reprovação fica em 20% O índice de alunos que repetiram o ensino fundamental em 2004 foi de 16,6%, representando 103.951 alunos dos 625.917 matriculados nas escolas da rede estadual de ensino. No ensino médio, onde foram matriculados 631.822, a repetência atingiu 59.927 (9,5%) no ano passado. Nos últimos oito anos, a taxa de reprovação, tanto no ensino médio como no ensino fundamental, tem se mantido no patamar de 10% a 16%, respectivamente. O mesmo se pode dizer da taxa de abandono, que desde 1996 vem oscilando entre 18% e 20% no ensino fundamental e de 17% a 20% no ensino médio. Na avaliação da secretária Anaci Paim, estes números não refletem a realidade do ensino público na Bahia. ?Trata-se de evasão do ensino formal, mas muitos jovens se matriculam no supletivo ou em programas de alfabetização?, diz, exibindo o número total de matrícula no ano passado, de 510.058 alunos nesses cursos. SMART CARD ? Anaci esclarece que muitos alunos, mesmo tendo concluído o ensino fundamental, retornam às escolas matriculando-se em séries atrasadas para aprender mais. Em diversas escolas da rede pública, os alunos admitem que a meia passagem nos ônibus (quatro por dia e durante todo o ano) e a merenda escolaretência. ?Já concluí a 8ª série, mas estou matriculado na 5ª série?, confirma M.N.A., 23 anos, numa das turmas na Escola Raimundo Gouveia, em Castelo Branco. Outra estudante, N.S.S., 27 anos, que também pediu para não ter divulgado o nome, já concluiu o ensino médio, mas freqüenta a 7ª série no Colégio Gidan, também em Castelo Branco. ?Já perdi duas vezes seguidas, mas freqüento as aulas e garanto o cartão?, disse. Professores questionam qualidade A melhoria da qualidade do ensino é um dos desafios admitidos por professores e pela Secretaria da Educação. Para a diretora da APLB/Sindicato, Marinalva Nunes, o desestímulo dos estudantes começa pela própria estrutura das escolas em Salvador ? 66 delas tiveram ou estão em reforma este ano. No Colégio Central, por exemplo, todo o Pavilhão Carlos Santana, onde deveriam funcionar os laboratórios de biologia, química e física, está desativado há anos. Os professores ligados à APLB, como Ruy Oliveira, coordenador da entidade, questionam o método de turmas de aceleração escolar, que faz com que o estudante conclua, em um ano, dois períodos letivos. ?O tempo médio de escolaridade dos estudantes foi reduzido de 11 para 5,5 anos com o objetivo de diminuir a evasão e a repetência?, acusa. ?O Estado incentiva os estudantes a fazerem os cursos de aceleração, com conseqüências desastrosas?, afirma. Os cursos de aceleração nos diversos ciclos (I - 5ª e 6ª, em um ano; II - 7ª e 8º, em um ano; e III - 1º ao 3º, no período de um ano e seis meses) são, contudo, defendidos pela Secretaria da Educação como forma de inclusão educacional. ?O estudante que já ultrapassou a idade adequada para cursar o ensino fundamental não se sente à vontade numa sala de aula ao lado de crianças e, por isso, busca as turmas de aceleração como forma de recuperar o aprendizado e diminuir a distorção idade/série?, diz Anaci Paim. No Central, das 45 turmas programadas para o turno vespertino, apenas 23 foram formadas, assim mesmo reduzindo o número em sala de 40 para 30 alunos. No Severino Vieira, existem 34 turmas de 40 alunos à noite, e 50 turmas pela manhã. À tarde, mesmo com o número máximo de 25 alunos por sala, o colégio só conseguiu formar 17 turmas. A APLB/Sindicato diz ainda que, no Anísio Teixeira, um dos colégios mais tradicionais da Liberdade, o turno da tarde só dispõe de 200 alunos matriculados, totalizando oito turmas, enquanto nos turnos da manhã e noite há 33 turmas, cada. Taxa de abandono crescente De 1996 para cá, as taxas de abandono e reprovação no ensino público no Estado têm se mantido na faixa de 20% e 17%, respectivamente. Por outro lado, os índices de reprovação aumentaram tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. Ensino fundamental Ano Aprovação Reprovação Abandono 1996 63,3% 16,5% 20,2% 1997 68,0% 14,2% 17,7% 1998 71,1% 12,0% 16,9% 1999 69,4% 14,2% 16,4% 2000 64,1% 14,8% 21,1% 2001 65,3% 15,1% 19,6% 2002 65,2% 16,1% 18,7% 2003 54,1% 17,8% 18,1% Ensino médio Ano Aprovação Reprovação Abandono 1996 72,1% 10,0% 17,8%% 1997 73,4% 7,1% 19,6% 1998 76,0% 5,9% 18,1% 1999 70,4% 8,0% 21,6% 2000 71,3% 7,9% 20,8% 2001 72,1% 8,8% 19,1% 2002 70,2% 9,3% 20,5% 2003 68,3% 10,8% 20,9% Turno da noite é o pior Quando se somam os índices de abandono e repetência nas séries do ensino fundamental nas escolas da rede estadual de ensino, verifica-se que mais da metade dos alunos matriculados (52,9%) perdem o ano letivo. Destes, 40,7% simplesmente abandonam a escola e outros 12,2% permanecem, mas repetem o ano. Ensino fundamental (2003) Reprovação Abandono Diurno 18,9% 12,9% Noturno 12,2% 40,7% Ensino médio Reprovação Abandono Diurno 11,4% 11,5% Noturno 10,2% 28,3% Repetentes (2004) No ano passado, 518.429 alunos das escolas das redes estadual e municipal de ensino na Bahia perderam o ano letivo, de um total de estudantes matriculados (nas duas esferas de ensino) de 3.569.851 alunos. Ensino fundamental Matrícula (Estado) Repetentes 625.917 103.951 Matrícula (Munic.) Repetentes 2.257.487 352.155 Ensino médio Matrícula (Estado) Repetentes 631.822 59.927 Matrícula (Munic.) Repetentes 54.625 2.396
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