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Algodão dá alento às viúvas da seca.
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Algodão dá alento às viúvas da seca.

Revitalização da cotonicultura traz de volta à região homens que deixam as famílias em busca de emprego em outros centros Fim dos longos meses de espera para as ?viúvas da seca?, as mulheres que durante grande parte do ano assumem o papel de chefe de família enquanto seus companheiros deixam o torrão natal para buscar melhor sorte nos grandes centros. De outubro a janeiro eles fazem o caminho de volta e aproveitam para matar a saudade da mulher e filhos e manter o sustento da casa trabalhando nas lavouras. Como Sebastião, Edmundo e Rosalvo, companheiros que ignoraram o apelo das crianças e partiram num caminhão pau-de-arara com outros 20 homens para engrossar as fileiras da construção civil em São Paulo. Muitos desistiram, alguns ficaram em Minas Gerais e o restante, pouco mais de 10, chegaram ao destino final, cansados e saudosos. ?Eu não via a hora de voltar pra casa e abraçar meus filhos e minha mulher de novo?, confessou Edmundo. Eles saíram dos povoados de Mutans, Picada do Zuca e Casa Velha, mas a maior parte desses ?bóias-frias?, formada em fevereiro deste ano, foi recrutada nas periferias de Guanambi, Palmas de Monte Alto e Iuiu, regiões produtoras de algodão. ?Pode ser que agora a coisa mude e a gente não volte mais pra São Paulo?, espera Rosalvo, casado e pai de três filhos pequenos. SAUDADE ? ?Eu não queria que ele fosse embora, mas minha mãe fala que uma dia ele volta, por isso que a saudade passa logo?, disse a pequena Isadora, de 5 anos, filha de Rosalvo. Cartas, telegramas e e-mail são conquistas distantes desse povo, que só encontra amparo no telefone para matar saudades um do outro. Aí entra em cena a imprescindível figura do mensageiro, aquele rapaz da bicicleta que pedala apressado para chamar ?dona Maria, dona Joana e tantas outras?, para atender ao chamado do marido, do outro lado da linha. ?Se não fosse esse posto telefônico a gente ficava de pé e mão quebrados, sem comunicação?, assentiu a lavradora Rita Mendes Santos. De acordo com dados do governo do Estado, os tempos difíceis para as ?viúvas da seca? de Guanambi e região estão se distanciando e o motivo é a revitalização da cotonicultura, cuja produtividade esperada é de até 2,25 mil quilos. Os números são animadores, mas ainda carece de sustentação para garantir o retorno da mão-de-obra baiana ?emprestada? ao Sudeste do País. EMPREGOS ? Pelos dados do governo, a área plantada saltou de dois hectares, em 1999, para os atuais 45 mil hectares. Com a produtividade em torno de 2,25 mil quilos, nas médias e grandes propriedades, pelo menos 70 mil empregos diretos podem ser gerados na região. Dirigentes da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) dizem que o processo de retomada da cotonicultura no Sudoeste está dentro do esperado e que a tendência é crescer ainda mais, com a safra 2004/2005 registrando um aumento de 15%. O Programa de Apoio à Revitalização da Cultura Algodoeira na região sudoeste e Médio São Francisco, lançado pelo governo estadual e voltado para mini e pequenos produtores, está na terceira etapa. Nessa fase os investimentos somam R$10,2 milhões e devem beneficiar três mil novos pequenos produtores de 30 municípios. Cada um vai receber kits de produção com sementes, fertilizantes, inseticidas, formicidas, equipamentos de proteção individual, pulverizadores e pluviômetros. Além de serviço de preparo do solo, capacitação e assistência técnica.
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