Advogada assiste à execução de soldado.
A tentativa de assalto à agência do Bradesco do Canela, por volta das 10h15 de ontem, deixou chocados os moradores, transeuntes e ambulantes da Rua João das Botas. Uma advogada, que mora em um prédio do início da via, que não quis se identificar, disse ter assistido à execução do soldado Lopes. Muito abalada, ela contou que o bandido descrito como jovem de cor branca e de cabelos pretos, usava camisa verde, desceu do carro com arma em punho e friamente atirou no policial caído.
O soldado era cohecido na vizinhança. Segundo a advogada, ele era muito atencioso e sempre ficava em frente ao Bradesco de onde cumprimentava os moradores da rua. Na companhia da sua empregada doméstica, a advogada aguardava informações de um telefonema para ir ao banco. Como num presságio, ela disse que sentiu que alguma coisa a estava segurando em casa. Naquele momento, ouviu os primeiros disparos e, em seguida, rajadas de metralhadora.
Da sua janela, desesperada, gritava para que alguém anotasse a placa dos carros. ?Depois, vi que isso não adiantaria nada porque deveriam ser carros tomados de assalto que eles poderiam abandonar a qualquer momento?. A cena da execução a marcou. ?O rapaz de camisa verde, muito bem vestido, ao ver a luta corporal do soldado com um dos bandidos, saiu de um dos carros e muito calmamente mirou e atirou na cabeça do policial, que não se mexeu mais. Foi chocante?. O que mais a impressionou foi a frieza do assassino. ?Ele voltou para o carro, deu marcha à ré e saiu fumando?, disse ela.
Após os primeiros estampidos, os transeuntes, desesperados, correram do local em direção ao estacionamento do Hospital das Clínicas e adjacências. O industriário Gilton Carvalho estava na clínica do COT aguardando um exame e foi atingido por estilhaços da vidraça. ?Eles chegaram atirando?, disse, bastante abalado depois de ser atendido na clínica.
Logo depois do ocorrido, o delegado Jacinto Alberto foi ao local e disse se tratar de uma quadrilha muito ousada e que agiu de forma articulada com pistolas semi-automática e fuzis. Segundo ele, naquele momento, um dos carros (Astra) já tinha sido abandonado no Ogunjá.
Também presente no local, o coronel PM Josué disse que a tentativa de assalto foi empreendida por oito homens fortemente armados. O assalto foi frustrado e, em resposta, os bandidos executaram um dos policiais no local e feriram gravemente outros três, vindo dois a falecer. Ele atribuiu ao período de final de mês como possível causa do interesse para o assalto à agência bancária. ?A atividade de segurança pública está difícil, mas não vai nos amedrontar?, disse lamentando a perda de mais três policiais.
