ACM admite candidatura ao governo
Entrevista fortalece boatos segundo os quais o senador teria se desentendido com o governador Paulo Souto.
O senador Antonio Carlos Magalhães admitiu ontem, em sua tradicional entrevista de fim de ano à TV Bahia, que poderá ser candidato ao Governo do Estado em 2006.
A declaração surpreendeu os políticos baianos, fortalecendo os boatos segundo os quais ele teria se desentendido com o governador Paulo Souto ? até então, apontado como candidato natural do PFL para a reeleição.
Mesmo tentando passar a idéia de que apóia a reeleição de Paulo Souto, ACM revelou que trabalha com a hipótese de ser o candidato do PFL. ?Meu nome (para a eleição) é Paulo Souto, mas, em política, tudo é possível, de modo que, se amanhã eu tiver que ser candidato, eu vou?, disse.
De todo modo, o senador restringiu a disputa no campo pefelista a ele e ao governador Paulo Souto: ?Podemos disputar a convenção ou então um dos dois será o candidato; nós temos intimidade bastante para (discutir) isso. Um ou outro, evidentemente, há de aceitar (a candidatura), mas meu candidato na realidade é Paulo Souto?.
DIÁLOGO ? Ainda na entrevista, ACM deixou claro que durou pouco seu ?rompimento? com o Planalto.
Depois de ter anunciado que faria oposição dura contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, irritado com suposta ajuda de Brasília a candidatos petistas nas eleições municipais deste ano na Bahia, o senador voltou a dialogar com o governo, como prova o encontro mantido anteontem à noite com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no gabinete do líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), quando foram discutidas fórmulas para remover os obstáculos à votação do Orçamento da União de 2005.
Ao comentar o encontro, ACM rasgou elogios a Mercadante e Palocci, além de praticamente apoiar de público a candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) para a presidência da Câmara dos Deputados.
Mercadante incluiu ACM no encontro de Palocci com lideranças do Senado para tentar chegar a um acordo com a oposição.
O senador baiano reivindicou da Fazenda a criação de um Fundo de Desenvolvimento Regional que garanta recursos para a Bahia. Palocci acenou com uma solução em março com a reforma tributária, uma resposta, considerada, razoável por ACM. ?O senador Mercadante tem sido uma figura importante para fazer essa ponte entre governo e oposição e sua habilidade o torna o principal ator do Planalto no Senado?, disse.
?VAMPIRO? ? ACM elogiou a condução da economia do País, mas pediu que os efeitos cheguem até os mais pobres, o que, segundo ele, ainda não ocorreu. Essa pouca preocupação com o social, conforme disse, se deve à incompetência da maioria dos ministros de Lula. ?Dos 35 ministros, só seis se salvam?, reafirmou, repetindo críticas ao seu principal desafeto, o ministro da Saúde, Humberto Costa, que estaria ?discriminando a Bahia sem ter condições morais para isso?.
O senador voltou a qualificar Humberto Costa de ?vampiro que avançou com seus amigos no problema dos hemoderivados e depois quis jogar isso para o seu antecessor (José Serra), o que não colou?. Ele criticou o presidente por manter Costa na sua equipe. ?Se ele (Lula) não o tira, é uma carga a mais no seu pescoço?.
ACM aprovou, por outro lado, a escolha do deputado Greenhalgh pelo PT para disputar a presidência da Câmara: ?É meu amigo há anos, mas agora surgiu o nome do baiano José Carlos Aleluia (PFL-BA) para disputar e o nosso partido precisa discutir com os governadores e os parlamentares para tomar uma decisão?.
AFAGOS E ATAQUES
Relação com governo federal
??O senador Mercadante tem sido uma figura importante para fazer essa ponte entre governo e oposição e sua habilidade o torna o principal ator do Planalto no Senado??
Equipe de Lula
??Dos 35 ministros, só seis salvam-se??
Ministro Humberto Costa
??Vampiro que avançou com seus amigos no problema dos hemoderivados e depois quis jogar isso para o seu antecessor, o que não colou??
Candidatura a governador
??Em política tudo é possível, de modo que, se amanhã eu tiver de ser candidato, eu vou??
