Secretaria de Agricultura de Tanque Novo se mobiliza contra o cultivo do “Nim”.

Policial

Quarta-Feira, 19 de Abril de 2017

O Secretário de Agricultura Sebastião Fernandes, esteve nessa segunda (17/04), em sessão plenária na Câmara de Vereadores de Tanque novo para esclarecer sobre os malefícios do cultivo da planta de origem indiana “Nim”. O cultivo da espécie e sua proliferação estão provocando prejuízos a outras espécies vegetais e até animais, uma vez que possui também propriedades repelentes.

A árvore “nim” (nome científico: Azadirachta indica A. Juss.) é uma espécie exótica, originária da sul da Ásia. Na Índia, é bastante utilizada por adeptos da fitoterapia por possuir propriedades farmacológicas. A planta foi introduzida no Brasil na década de 1980, com o intuito de trabalhar como um pesticida “natural” em lavouras, mas se tornou uma planta com alto poder de toxicidade para a biodiversidade das Caatingas. Tem sido bastante utilizada, especialmente na região do Vale do São Francisco, no paisagismo urbano de ruas e calçadas.

O que poucos sabem, é que o nim, somente pelo fato de não ser uma espécie nativa do Brasil e muito menos da Caatinga, já representa uma ameaça real a nossa biodiversidade. Ela tem se adaptado com sucesso ao clima semiárido, respondendo bem até quando não recebe água regularmente. Isto se deve ao fato da árvore conseguir acessar a água nas camadas mais profundas do solo, com seu sistema radicular eficiente. Possui crescimento relativamente rápido, fornecendo sombra com poucos meses após o plantio. O crescimento rápido, a copa vistosa e o perfume de suas flores têm convencido cada vez mais os moradores a plantarem o nim em suas calçadas.

Um dos principais problemas causados pelo nim é o efeito de seu principal princípio ativo: a Azadiractina. É uma substância comprovadamente inseticida. Possui ainda efeitos sobre a reprodução de insetos nativos, inibindo sua a reprodução. Particularmente, as abelhas nativas, que são de extrema importância na polinização das flores da Caatinga. A abelha mandaçaia está sendo dizimada no momento que visita as flores do nim e são contaminadas pelo seu pólen tóxico. É importante lembrar que a mandaçaia e várias outras abelhas nativas da Caatinga são responsáveis também pela polinização de várias culturas agrícolas praticadas no Vale do São Francisco que já sofrem com o uso abusivo de agrotóxicos. Em consequência da polinização comprometida há uma sensível diminuição na produção de frutos que são comercializados pelos agricultores. (Assista ao vídeo abaixo explicando que o Nim pode intoxicar as abelhas).

Neste sentido, propomos a substituição do nim por árvores nativas do bioma Caatinga, na arborização da cidade. Muitas espécies da Caatinga são capazes de oferecer sombra em nossas calçadas, e ainda não oferecem risco à encanação, pois possuem raízes pivotantes, que crescem verticalmente. A substituição não deve ser súbita. À medida que a espécie nativa for crescendo, uma poda preventiva pode ser realizada no nim. Assim você não ficará sem sombra.


Via tanqunet


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