Eliana Calmon diz que 'é impossível fazer política sem corrupção'.

Política

Quarta-Feira, 19 de Abril de 2017

A ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STF), Eliana Calmon, disse nesta terça-feira, 18, que não se surpreendeu com os nomes citados nas delações dos executivos da Odebrecht, presos na Operação Lava Jato. Em entrevista à Rádio Metrópole, Calmon comentou o depoimento que deu ao jornal Folha de S. Paulo, onde falou que a Lava Jato também irá afetar o Poder Judiciário. “A empresa Odebrecht passou mais de 30 anos fazendo esses absurdos todos que estão aí, será que nada disso passou pelo Judiciário? O Judiciário teve uma participação muito forte em tudo isso que está acontecendo. Conforme a Constituição de 1988 não se pode fazer nada sem a deliberação do poder judiciário.

Os “Sérgios Moros” da vida surgem de mentirinha. Tudo passou pelo Judiciário, então, muita coisa virá a tona dessa conivência de mais um poder que se alia a esse lixo que está exposto. As empresas foram sendo comparadas pela Odebrecht, quem fazia oposição foi sendo quebrada e isso foi passando pelo judiciário de uma forma incólume, sem ninguém ter visto”, disse. Eliana Calmon destacou, ainda, que depois que foi candidata ao Senado viu ‘o amago da política e vi que pelas regras do jogo é impossível fazer política sem haver corrupção, as campanhas são milionárias e o mercado está viciado, todo mundo quer dinheiro e muito dinheiro. É natural saber que o político não vai fazer doação de campanha em vão. Depois que eu estava em campanha eu fui descobrindo que existe o caixa 2 e faz com que os políticos apliquem na campanha e parte em sua conta pessoal. Tanto que quase todo político é rico. Aliás, uma coisa que eu falei, eu era a candidata mais rica para senado, meu patrimônio era maior que os companheiros que disputaram comigo, que são políticos há muito tempo. De onde vem esse dinheiro? Vem do caixa 2 das empresas. Como é que pode 300 milhões numa campanha para a presidente Dilma? Será possível que essa quantia seja retirada de empresas assim, de uma hora para outra? Isso tinha conivência das autoridades”, completou Eliana.


Autor: Tribuna da Bahia


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